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24 de janeiro de 2013

Penacova à luz da vela e a utilizar água da fonte

Bombeiros acudiram a mais de 200 pedidos de ajuda, desde sábado, Ontem a grande preocupação eram as populações que continuavam às escuras

O centro da vila é um deserto. Os bancos não abriram e os multibancos não funcionam. Dentro das lojas está escuro, apesar de estarem de portas abertas. Nos cafés e pastelarias, não se servem “bicas”. Não há luz, nem sequer água. Há quem tenha amassado o pão «à mão, à moda antiga» só para não falhar aos clientes. Na maioria dos lugares do concelho falta linha telefónica e, mesmo que haja rede, os telemóveis já estão sem bateria e sem electricidade para a carregar.
O povo diz que “Depois da tempestade vem a bonança”, mas em Penacova, ontem, três dias depois do temporal que deixou um rastro de destruição um pouco por todo o distrito o que restava da tempestade eram ainda muitas queixas, transtornos, prejuízos e um concelho completamente parado à espera de energia eléctrica e água na torneira, para voltar à vida normal que não existe desde sábado, em quase todo o concelho.
Penacova era ontem um dos concelhos que mais sofria com os cortes de energia e de abastecimento de água provocados pela tempestade. De acordo com Humberto Oliveira, presidente da autarquia, cerca de 11 mil pessoas ficaram afectadas pelos cortes. A luz voltou durante a manhã em alguns lugares do concelho, mas a grande maioria das casas estava, ontem à tarde, às escuras e sem água com cada um a remediar-se como pode. «Voltámos ao antigamente. À luz da vela e água da fonte», desabafa uma moradora.
Por volta das 14h00, no centro da vila, acenderam-se as luzes e houve uma esperança, mas não durou mais de 45 minutos. A água nem chegou a correr nas torneiras, como confirmou Luís Menezes, do Café Beirão, mesmo em frente à câmara. «Percebemos que tudo isto é por causa de um grande temporal, mas devia haver mais prevenção. Continuamos a achar que vivemos no “cantinho do céu” e depois é isto», desabafa quem está, desde sábado, sem luz, sem telefone e sem rede de telemóvel. Juntando a falta de água, «Mais um dia assim e será complicado», continua.
Marina e Paula Costa eram o rosto do desespero. As proprietárias da Padaria O Largo nem queriam pensar nos dois mil pães, que ficaram no frio de sábado para domingo e que foram para o lixo, ou nos cafés que não serviram.
Sem luz, com um fio de água na torneira, sem rede de telemóvel e sem telefones, queriam que tudo voltasse ao normal, para «recuperar o tempo perdido» depois de três dias onde tudo foi prejuízo…
Viver sem água e sem luz durante vários dias é no transtorno sentido por todos, nos vários lugares do concelho, Mas em casa, em quase todas as casas, tal como em todos os cafés ou mercearias, a grande preocupação são os recheios das arcas e a certeza de que, tantos dias sem luz, significam comida estragada.
Benvindo Nogueira, morador na Mata Maxial, no limite de Penacova, perto de Coimbra, é apenas um exemplo. O que tinha dentro de uma arca conseguiu «mandar para casa de familiares», mas o que tem nas outras duas «vai-se estragar e quero ver quem paga», desabafou.

Escolas não abriram portas e alguns serviços encerrados

As crianças e jovens de Penacova tiveram direito a fim-de-semana prolongado. Praticamente todos os estabelecimentos de ensino do concelho, desde as escolas do primeiro ciclo à escola secundária, não abriram portas, por um lado devido aos prejuízos causados pelo mau tempo, por outro por não estar restabelecida, ainda a energia eléctrica e também o abastecimento de água.
Um das situações mais preocupantes, ontem, no concelho foi a queda de uma árvore de grande porte no depósito de gás da Escola Secundária de Penacova, perto do centro da vila, o que obrigou atenção da autarquia e dos bombeiros, que procederam ao corte da árvore.
Durante o dia, uma equipa especializada esteve no local para avaliar as consequências do incidente Apesar dos danos materiais - a árvore destruiu completamente, a estrutura em ferro e arame que protegia o depósito de gás - ficou a garantia dos técnicos que estiveram no local que o mesmo não tinha ficado danificado, não havendo, portanto, qualquer perigo de rebentamento.
Para além das escolas, também bancos e outros serviços do concelho se mantiveram encerrados durante o dia de ontem em Penacova. Apesar de a câmara estar portas abertas, houve serviços municipais que não funcionaram devido à falta de luz.

Funcionários da autarquia e sapadores limpam vias

Desde sábado até ao início da tarde de ontem, os Bombeiros Voluntários de Penacova receberam e acudiram a mais de duas centenas de pedidos de ajuda um pouco por todo o concelho, que incluem quedas de árvore, pequenas derrocadas, desobstrução de vias, pequenas inundações e danos em estruturas e habitações.
«Felizmente, sem danos humanos», adiantou António Simões, comandante dos bombeiros de Penacova, que chegava ao centro da vila, após ter ido fazer uma «volta de verificação por todo o concelho para fazer o ponto de situação dos estragos».
Também os bombeiros sofreram com as consequências do temporal. Ficaram sem electricidade e sem telefone fixo e funcionaram, durante o fimde-semana, com a ajuda de um gerador. Ontem, continuavam a trabalhar nas consequências do temporal, um pouco por todo o concelho.
Para além dos bombeiros, uma equipa com cerca de 25 funcionários da autarquia e os sapadores florestais circulou por todo o concelho a proceder a limpeza de vias, nas estradas onde houve, durante o fim-de-semana, queda de árvores e derrocadas, como adiantou ao Diário de Coimbra, Humberto Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Penacova que, durante os últimos dias, acompanhou de perto todos os trabalhos.

Edição impressa do Diário de Coimbra de 22.02.2013 - Jornalista Ana Margalho

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