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7 de janeiro de 2013

Portugal no centro do mundo*

Muitos são, incluindo-me a mim próprio, aqueles que têm defendido que para sairmos da actual situação em que o País se encontra e para cumprir as metas financeiras que nos são impostas internacionalmente para os próximos anos, é preciso apostar em medidas de crescimento económico em detrimento da austeridade desmedida, com cortes de salários e pensões e aumentos de impostos que só têm levado ao empobrecimento dos portugueses. No entanto, faltam, por vezes, exemplos de medidas concretas de como fazer a economia portuguesa crescer e de como tornar Portugal um país competitivo e economicamente viável!
Há muito que defendo, com base em vários estudos concretos e credíveis que foram realizados nos últimos anos mas nunca verdadeiramente levados a sério de forma a serem implementados que, contrariando a habitualmente descrição de “país periférico”, Portugal está no centro geográfico do Mundo e, por conseguinte, pode ser um centro logístico à escala global aproveitando os recursos de que dispomos.
A fundamental medida para o efeito é transformar o Porto de Sines, único em Portugal de águas profundas, no maior porto da Europa. Se o Porto de Sines passar a ser a escolha dos grandes operadores marítimos mundiais e lá atracarem os maiores navios de mercadorias que abastecem o espaço europeu, muito outros, de menor porte, farão a ligação entre Portugal, a Europa e outros Continentes, para além de outras ligações por ar e terra. As actuais e futuras rotas marítimas - já identificadas - dos gigantescos cargueiros marítimos que abastecem a economia planetária favorecem a nossa localização!
Portugal passaria a ter ligação marítima directa e frequente a todos os continentes o que permitira atrair investimento estrangeiro directo em indústria produtiva de bens transaccionáveis e dar condições de excepção às empresas portugueses de vocação exportadora. Para além de todas as empresas portuguesas que, não sendo exportadores, veriam o seu mercado interno alargado com o crescimento da procura.
A economia portuguesa teria condições para subir na cadeia de valor dos produtos que produz, reduzindo a excessiva subcontratação de componentes de produtos para aumentar a produção de produtos finais com mais valor acrescentado. É que as exportações portuguesas, relativamente ao PIB, representam cerca de metade de outros países europeus semelhantes ao nosso precisamente porque, genericamente, a cadeia de valor das nossas exportações é mais baixa.
Naturalmente que a implementação de uma estratégia desta natureza, exige vontade e determinação política, pois há obstáculos a ultrapassar e investimentos a fazer. E é preciso visão estratégica e sentido de Estado, pois trata-se de uma medida que não tem resultados imediatos mas antes a médio prazo. Mas é daquelas que, em dez anos, pode inverter o rumo social e económico de um País e traçar uma história diferente para as gerações vindouras.
Mas atenção, Portugal tem a concorrência feroz dos portos espanhóis e marroquinos – Tanger, Algeciras e Corunha. Saibamos nós aproveitar as melhores condições marítimas e geográficas de Portugal e do Porto de Sines atempadamente!

*Artigo de opinião originalmente publicado na edição do Diário de Coimbra do dia 07.01.2013

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