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28 de abril de 2013

Desilusão


Há muito tempo que deixei de acreditar no modo como se "faz" a política atual.
A sua mensagem está demasiado formatada para me atrair e olho sempre com absoluta desconfiança para a generalidade dos protagonistas.
Uns porque deliram atrás dos respetivos portões, fora do mundo e da sua realidade, abrigados no conforto das suas "ideologias" e dos seus manuais; outros que, ultrapassando esses portões, logo se perdem em deslumbramentos vários que rapidamente os ensimesmam e tornam no mesmo padrão medíocre e falso que tem condenado o país ao longo dos anos.
Mais chocante ainda, é ver os políticos da "nova geração" a organizarem-se em teoria e método pelos mesmos manuais em que apenas eles acreditam e que, para o avisado e comum mortal - fora das correntes e cadeados partidários - já consegue ver mais para além do tradicional palmo mensurável à frente do umbigo.
É lamentável ver as "promessas políticas" sem um módico de humildade, de queixo levantado a recolher vénias, por mais vazia que seja a sua mensagem, por mais patética que seja a sua prática.
Depois, na hora de estender a mão, mudam o chip para o modo "popular" e vão por ali fora, nivelando a mensagem - porque há que chegar às pessoas (reles chavão), prometendo tudo o que sabem não poder cumprir, enredando milhares de pessoas numa teia que apenas visa - pelo que se constata - massajar os respetivos egos, medir o comprimento dos órgãos e tratar da particularidade das suas vidas, ainda que se admitam exceções, as tais que confirmam empiricamente a regra.
Portanto, a desilusão é toda a que se possa pensar. E é incrível como a maioria dos políticos não consegue, pelo que se ouve, vê e lê, perceber uma coisa tão simples, que a passagem do tempo glosou, que os novos pressupostos do mundo estabeleceram, bem ou mal, conforme os juízos.
Exigem-se novos paradigmas, novas mentalidades e novas formas de atuar, algumas delas alicerçadas nos valores que as sociedades foram estabelecendo ao longo dos séculos e que por questões de "modernidade e vanguarda" se arrumaram numa gaveta. 
É no mínimo perigoso que se deite a perder, ante este deslumbre global, tudo o que se conquistou ao longo de muitas batalhas, sangue suor e lágrimas.
A velocidade do pulsar mundo é hoje demasiado elevada e é preciso abrandar a corrida rumo ao abismo.
Se isto cheira a moralismo e a conservadorismo, não creio, pelo contrário, que a perda de referenciais e a rendição à estupidificação generalizada seja o melhor caminho.
A menos que queiramos colocar ponto final em tudo isto. 
Se assim for, já não falta tudo.
AL


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