Uma reflexão sobre a criminalidade*

Há muralhas invisíveis que se opõem às pessoas, ameaçando a cidadania que até aqui podíamos usufruir com liberdade e quase sem reservas. O orgulho de uma cidade segura, onde podemos permanecer garantidos pelo respeito de uns pelos outros – nunca comparável a outras realidades de violência e criminalidade que apenas conhecemos pelos noticiários – começa a afigurar-se indelevelmente fragilizado.
Poderão as pessoas viver descansadas na sua cidadania quotidiana? Os argumentos que aqui quero partilhar caminham na direcção da previsível resposta…
Uma pequena reflexão encaminha-nos para a percepção de que Coimbra, durante tanto tempo um reduto de exemplos que a engrandeceram, tornou-se permeável à criminalidade violenta que vem empurrando as pessoas contra as cordas da insegurança e do desassossego. Habituámo-nos a ler nas manchetes dos nossos jornais a alusão aos assaltos frequentes e às lojas subtraídas ao vazio das montras. Deparamo-nos agora com um novo fenómeno que não era de todo comum em Coimbra, o carjacking, ou seja, o roubo de carros com ameaça à integridade física do condutor, com o recurso a armas de fogo.
Este crime violento, que estava circunscrito a grandes e movimentados centros urbanos, habitualmente indicia a existência de redes organizadas e é descrito pelas autoridades como uma ocorrência de extrema violência.
Encontramo-lo agora também na nossa Cidade de Coimbra outrora pacífica, calma, pacata e segura. No centro urbano de Coimbra passou a haver carjacking e crimes à mão armada! Ora, não podemos deixar de reflectir sobre o que está a acontecer à Cidade e ao País.
As políticas de austeridade e de magreza cívica que são seguidas em Portugal têm como consequência acentuados declives entre as pessoas, uma ampla degradação das classes sociais e uma cada vez maior pobreza e mais abrangente calamidade. Estou em crer que a desestruturação dos pilares da nossa sociedade espelha resultados nefastos, entre eles o aumento da insegurança nas ruas – já ao nível da criminalidade a que só estávamos habituados a ver em países como a Venezuela ou a África do Sul.
De facto Coimbra, durante tanto tempo considerada uma cidade segura, com qualidade de vida acima da média, tem vindo a degradar-se sucessivamente no que tem para oferecer aos cidadãos e apetece perguntar que Cidade e que País estamos a construir. 
Em Coimbra e em Portugal, estamos a regredir décadas!
Apesar da total ausência de políticas que invertam (ou mostrem preocupação de inverter), em Coimbra, a delinquência violenta com recurso a armas de fogo, comparável a cidades terceiro-mundistas, quero deixar uma palavra de conforto e de reconhecimento às forças policiais que temos pois, com cada vez menos recursos, vão tentando minimizar e combater a criminalidade galopante nas ruas com grande competência e pronta capacidade de resposta.

*artigo de opinião originalmente publicado na edição de 29.04.2013 do Diário de Coimbra

  etiquetas ,