A coligação que aniquila pessoas! Tudo normal…*

Em apenas dois anos, o governo destruiu com as suas opções políticas mais de 400 mil postos de trabalho. A austeridade imposta aos portugueses foi afastando o país dos objectivos de recuperação da economia e de cumprimento do défice e suprimento da dívida pública. As medidas tomadas não resolveram qualquer dos nossos problemas, antes agravaram as dificuldades. Hoje, o país vive com mais injustiça, menos emprego, mais pobreza e mais dívida.
Como se não bastasse, segundo um relatório do FMI, ficámos a saber que o governo ter-se-á comprometido a cortar nas pensões cerca de 740 milhões de euros, o que, fazendo as contas, significa que para atingir esse montante, terá de tirar aos reformados e pensionistas o equivalente a 10% em todas as pensões, mesmo nas mais baixas. Para a vida das pessoas isto é uma tragédia. Mas para o governo, tudo normal…
A aplicação retroativa de uma nova fórmula de cálculo aos pensionistas constitui grosseiramente uma quebra de confiança entre os cidadãos e o governo. Adianto-me a dizer que há, no mínimo, a violação de um contrato!
Tenho ouvido reputados constitucionalistas dizerem que aquilo que a coligação PSD/CDS-PP tenta fazer desrespeita a lei fundamental. O que não é inédito, pois o governo é repetente nestas tentativas inconstitucionais. Todavia, para o governo, tudo normal…
Mas há um aspeto que vem sendo perdulário na acção da maioria PSD/CDS-PP. A obstinada perseguição a alguns grupos de cidadãos, lançando portugueses contra portugueses. Sejam os jovens, sejam os funcionários públicos, sejam os reformados e pensionistas. A memória do chumbo pelo Tribunal Constitucional vem atiçar o PSD/CDS-PP contra o País e, sobretudo, contra alguns portugueses. Uma ex-líder do PSD disse, e convém lembrar, que o governo tem tratado os aposentados de uma forma muito cruel e quase desumana. Por que razão se está a criar esta situação psicológica em relação aos reformados? Para os cidadãos, tudo isto já passou há muito os limites da decência, e tem agudizado uma erosão dos valores éticos, mas para o governo, tudo normal…
O Estado Social que temos levou mais de cem anos a conquistar. É isso que essencialmente separa a barbárie de um Estado de Direito Democrático moderno. Só o governo não percebeu... Tudo normal!
Esta coligação está esgotada, chegou ao fim. Já não tem argumentário para mais nada que não sejam cortes, asfixia e austeridade. Já é indisfarçável o ódio a algumas franjas do país. Isso tolhe-lhe o discernimento e deixa-o sem espaço para aquilo que o governo devia fazer, como a proteção social, a criação de uma agenda prioritária para o crescimento e para o emprego, um olhar centrado nos portugueses. Mas há quem ache que está tudo normal.

*artigo de opinião, originalmente publicado na edição de papel do Diário de Coimbra de 13.05.2013

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