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25 de maio de 2013

OPINIÃO - Lavem-se as mãos aos políticos...

Recentemente vi-me confrontada com uma realidade relativamente nova. A escola em que trabalho foi, em conjunto com outras, incluída num mega-agrupamento - Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Este facto obriga a uma reflexão com várias vertentes mas que, pela sua vastidão terão de sofrer parcelamento.

Vou-me limitar à Escola e seu povo. Argumentam os políticos que os “Mega” permitem uma optimização dos recursos. A um cidadão menos atento este argumento pode servir, mas basta pensar um pouco para verificar que o que na realidade se pretende é desfazer um erro grave, que na minha perspectiva assume contornos de crime público, com outro ainda mais grave desviando as consequências para terceiros.

Analisemos o problema. Neste concelho existem efectivamente mais escolas do que as comportáveis em termos de população, isto é, o número de alunos não justifica tanta escola. Algumas questões se devem colocar: aquando da sua construção eram necessárias essas escolas? Os estudos demográficos apresentavam algum argumento nesse sentido ou foram efectivamente feitos? A resposta a estas perguntas pode ser diferente mas a conclusão é só uma e já assim era quando estas escolas surgiram como cogumelos. Não há, nem nunca houve, alunos para tanta escola. Outra questão se impõe: se não eram necessárias porque foram construídas? A resposta é simples, clara como água. Estas escolas, tal como outras, e inúmeras auto-estradas foram construídas como propaganda eleitoralista. Os políticos no poder usaram de forma criminosa os dinheiros públicos para angariarem votos e dinheiro para os seus partidos. É que as obras públicas permitem que o tráfico de influências se manifeste. Estas obras tornam-se criminosas pois nelas se delapidou dinheiro de todos que deveria ter sido bem usado, com responsabilidade, com transparência e sobretudo com correcção.

Há muitas obras desnecessárias mas as escolas são das mais graves. A construção de uma escola acarreta imensas responsabilidades, desde logo a instalação de pessoal de diferentes sectores profissionais. Essas pessoas assentam a sua vida nesse trabalho. Quando as vacas emagrecem desmesuradamente e os tubarões continuam a abocanhar os maiores e melhores bocados é preciso cortar. Os cortes efectuados pelos políticos são cegos e afectam as pessoas de forma extremamente desumana. Mas o problema mantêm-se. As escolas não são necessárias, a taxa de natalidade não permite que se mantenham abertas mesmo que se criem turmas ideais de 15 alunos, horários decentes para professores e outras coisas do género. Sem alunos as escolas não se podem manter abertas!

A quem vai caber encerrá-las? Pela lógica deveriam ser encerradas por quem, tendo em conta os benefícios próprios e a sua reeleição, as abriu. Aqui apetece-me usar uma linguagem mais boçal, semelhante ao carácter dos nossos políticos, pessoas torpes que só sabem fazer porcaria, mas chegada a hora de limpar que seja outro a fazer o trabalhinho.

Os mega agrupamentos e agrupamentos permitem que as escolas sejam encerradas sem que o poder político seja por isso punido. Serão os Directores de Agrupamento a fazê-lo de forma mais ou menos violenta, mais ou menos contestada, mas sem dúvida que as escolas se verão despejadas de alunos e acabarão fechadas. É uma forma tão airosa de os políticos se lavarem…

Claro que ficam questões dolorosas pelo caminho, que fazer a tantas pessoas que vão ficar sem trabalho? Como vai ser a vida delas? Alguém no poder político pensa no drama destas pessoas (e suas famílias) desprovidas de trabalho, roubadas na sua dignidade? O pior é que estas pessoas, chegada a hora de votar voltam a fazer o mesmo de sempre…

Anabela Bragança


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