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27 de maio de 2013

O Conselho de Estado

Há poucos dias, realizou-se um Conselho de Estado, presidido pelo Presidente da República mas convocado pelo comentador televisivo Luís Marques Mendes.
Segundo a versão oficial, o Conselho de Estado teria como objectivo discutir as perspectivas de Portugal após a intervenção da troika, no âmbito de uma “união económica e monetária efectiva e aprofundada”. Naturalmente, não era este o objectivo nem foi o que se passou. Até porque, antes do “após” troika há ainda o “durante” a troika, em que nos são impostas medidas - com a complacência do Governo - recessivas economicamente e depressivas socialmente. Ou seja, antes do “após” há ainda, como tenho escrito, que reflectir e corrigir o “durante” que tem sido desastroso e que está a devastar o País.
A verdadeira razão para convocar o Conselho de Estado e outra: o Presidente da República quis amparar com as duas  mãos o Governo!
Num momento em que a contestação aumenta, em que a base de apoio deste Governo diminuiu e a relação política e institucional entre os partidos da coligação dá sinais quase permanentes de estar por um fio, Cavaco Silva quis amparar Pedro Passos Coelho e Victor Gaspar.
O Conselho de Estado só veio agravar mais a fragilidade deste Governo, das suas políticas e do próprio Presidente da República. Provavelmente, o Presidente criou a ilusão que os Conselheiros dariam o seu aval a sua pretensão. Mas não foi o que aconteceu como seria previsível. Pelo contrario, o erro político do Presidente veio isolar ainda mais o Governo e colocou-se a si próprio numa posição igualmente frágil, tão sozinho politicamente quanto o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças. Mais, evidenciou que o divórcio entre os portugueses de todos os sectores sociais e políticos e o Governo se tornou evidente para além de parecer irreversível.
Mas há ainda mais uma conclusão grave a retirar. Num dos momentos mais difíceis da história recente do País, os portugueses precisavam de um Presidente da República forte e com lucidez política que se colocasse acima do Executivo, com sentido crítico e que indicasse o caminho quando ele parece não existir. Que fosse um agregador e mobilizador de vontades quando a esperança e as forças parecem faltar.
Com esta atitude, o Presidente colocou-se não ao lado mas dentro do próprio Governo como se fosse um dos seus membros... E os portugueses já não acreditam nestas políticas nem nestes governantes. Os resultados estão a vista. Portugal precisa urgentemente de um novo ciclo!

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