SABERES E SABORES Confraria dos sabores de Coimbra entroniza novos confrades - PENACOVA ACTUAL

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2 de junho de 2013

SABERES E SABORES Confraria dos sabores de Coimbra entroniza novos confrades

II Claustro Pleno - Cerimónia reuniu confrades de honra, confrades efectivos e convidados, juntos pela defesa e promoção dos valores gastronómicos da cidade


Promover, divulgar e defender a doçaria conventual e a cozinha tradicional de Coimbra são os motivos de existir da Confraria dos Sabores de Coimbra, criada há pouco mais de um ano. Ontem, o Mosteiro de Santa Cruz recebeu o seu II Claustro Pleno, uma cerimónia em que foram entronizados sete novos confrades efectivos e cinco confrades de honra. Todos provaram a arrufada de Coimbra, como ditam as regras, e todos se comprometeram com a defesa da gastronomia e do mais vasto património da cidade.
Homenageados pela sua reconhecida entrega à cultura, a Confraria do Leitão da Bairrada - «que apadrinhou, sem reservas», esta nova confraria de Coimbra -, os gastrólogos e historiadores Gonçalo Reis Torgal e Paulino Mota Tavares, o escultor galego Emílio Martinez e o professor da Universidade de Santiago de Compostela - com vasta obra sobre os caminhos de Santiago, nomeadamente os portugueses - Francisco Singul são, desde ontem, confrades de honra da Confraria dos Sabores de Coimbra. Dos confrades efectivos fazem agora parte Luísa Oliveira Abreu, Rosa Maria Campos, António Nunes Pinto, Cristina Toscano Faria, Arsílio Carvalho, Adérito Fernandes Pereira e Augusto Simões Alfaiate.
No capítulo de ontem, que começou com prova de iguarias doces e salgadas, falou-se da ligação de Coimbra à Galiza e a oração de sapiência feita por Vasco Mantas recordou a importância dos caminhos de Santiago na recuperação «da réstia de unidade espiritual da Europa , após a queda do império romano» e no papel que ainda hoje desempenham na união entre os povos.

Investigar e proteger o que é genuíno

Apesar da sua curta existência, a Confraria dos Sabores de Coimbra realizou já um jantar para angariação de fundos para recuperação dos Claustros da Sé Velha, e está a fazer uma recolha exaustiva de toda a doçaria conventual e da cozinha tradicional, revelou a cancelária da Confraria dos Sabores, Preciosa Vale. A arrufada, o pastel de Santa Clara, o manjar branco, o “bom-bocado” são apenas alguns dos doces, a que se juntam os pratos típicos de chanfana, o arroz de espigos ou de polvo.

Alerta para degradação do património

O grão-vizir da confraria, Nélson Correia Borges, admitiu que «não é fácil lutar contra hábitos instalados», que privilegiam o lucro em detrimento da qualidade e genuinidade dos produtos. Manifestou-se ainda preocupado com a degradação das tradições académicas e do património edificado no centro histórico.  Numa sessão que contou com a presença da vice-presidente da autarquia, Maria José Azevedo Santos, Nélson Correia Borges lamentou que recentemente tenham sido demolidas duas casas seiscentistas, na Rua do Moreno, devido às obras de construção da linha do Metro Mondego.

“Confrarias têm de estar mais perto da sociedade”

A presidente da Federação das Confrarias Gastronómicas considera que, no tempo de crise que o país atravessa, as confrarias têm um papel social acrescido. A participar no II Capítulo da Confraria de Sabores de Coimbra - cuja existência saudou - Olga Cavaleiro disse que «muitas aldeias, vilas e cidades ganham com a dinamização cultural e económica» criada pelas confrarias, bem como podem usufruir das suas acções solidárias. «Todas as confrarias devem ter como fio condutor da sua acção» as populações em que se inserem, para que «Portugal construa uma identidade cada vez mais forte».
Maria José Azevedo Santos partilhou desta visão de Olga Cavaleiro, notando que as confrarias devem estar atentas à sociedade e viradas para o futuro. Elogiando os confrades que «dão as suas horas para o bem comum», considerou a actividade das confrarias «um serviço público» e sublinhou o «espírito de congregação e altruísmo».