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17 de setembro de 2013

ESPAÇO DO LEITOR - Mensagem aos nossos políticos


Com o decorrer do tempo vamos observando que a vila de Penacova e suas aldeias vizinhas se encontram despovoadas e estagnadas de novas famílias. Esta triste realidade não passa despercebida a ninguém, sejam estes da classe política ou não. Qualquer cidadão comum que se desloque à nossa vila num domingo à tarde, verifica que este magnifico espaço, em vez de ter pessoas a contemplarem a natureza, tem pedras a serem contempladas pelos comerciantes em solidão.

Foram muitos os jovens que concluíram os seus estudos secundários em Penacova, rumo às cidades para tirar um curso superior. No final dos mesmos, tiveram a desilusão de não poderem regressar. A falta de implementação de políticas de fixação, apoio ao empreendedorismo, desenvolvimento de postos de trabalho ou pequenos incentivos como fazem outras autarquias, contribuíram e contribuem para a desertificação da nossa vila.

Tantas são as famílias penacovenses que procuraram os concelhos vizinhos, para adquirirem a sua habitação, por ser mais barata e de forma a ficarem mais próximas dos seus postos de trabalho, situação que nos entristece a todos. Esta realidade vem acontecendo ao longo dos anos, daí a culpa ser de todos aqueles que se tem sentado nas cadeiras dos lugares públicos, da câmara e das juntas.

Nos dias que correm é frequente encontrarmos casas vazias ou habitadas apenas por idosos que perderam a oportunidade de transmitir o seu conhecimento, vivência familiar aos seus descendentes. Estes tiveram de encontrar outros mundos, outros espaços, outras raízes, deixando para trás a sua verdadeira identidade.

As suas casas estão devolutas, a solidão inunda-as, as populações desertas. No futuro quem vai habitar estas casas? Quem as vai comprar? Será que as pessoas destes governos locais, ou outros, não mergulham neste problema grave, que é a desertificação? Esquecem-se que foram eleitos para preservarem e protegerem todos os eleitores? A política tem de ser uma prática cumprida com humildade, lealdade e trabalho, pois já diziam os mais velhos “palavras levam-nas o vento”.

Como cidadã pagante de impostos, apelo conscientemente aos actuais candidatos locais, câmara, juntas e outras entidades, que coloquem no seu programa de trabalho e se esforcem para criar condições, de modo a fixar jovens e famílias nas nossas aldeias, na nossa vila. Dêem oportunidades a todas as famílias, não as limitem às “cores” ou só aos “desfavorecidos”, porque de uma forma ou de outra todos os eleitores são desfavorecidos. Desenvolvam no concelho novas iniciativas, promovam e facilitem o turismo, a agricultura biológica, a floresta (façam contratos com as entidades competentes dos baldios e reflorestem-na), e por que não organizar os espaços para a criação de gados e outros. Penacova tem tudo para realizar estes e outros projectos, é abençoada por Deus, em água, floresta, campos, vento e sol. Quem dera a muitos concelhos ter esta diversidade de recursos naturais.

O objectivo desta minha carta é assim apelar ao bom senso das entidades locais para não deixarem esta vila, e as respectivas aldeias presas a um passado promissor e cheio de juventude, descrentes num futuro de rejuvenescimento desta terra. Esta terra que me viu crescer, que viu crescer meus filhos, mas que dificilmente verá os meus netos e binestos e os de tantas outras famílias. Já dizia a canção, “aquele parte, aqueles partem e todos se vão”, de José Niza e Adriano Correia de Oliveira.

Saudade Lopes
  


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