JORNADAS - Doentes renais crónicos debatem apoio pessoal

Associação Portuguesa de Insuficientes Renais comemora o seu 35.º aniversário, amanhã, em Coimbra 


A insuficiência renal altera rotinas de vida, com impacto nas relações com familiares e amigos, laborais e com a sociedade em geral. O diagnóstico «corta-nos o horizonte de vida. À excepção dos doentes que têm condições para transplante renal, o tratamento é para toda a vida: a hemodiálise três vezes por semana. Há momentos de revolta, de angústia, de depressão, que também afectam os que nos rodeiam».
João Cabete, vice-presidente da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), fala na primeira pessoa, mas admite que «mais de 80 por cento dos doentes renais crónicos» já passaram por grandes dificuldades nas relações interpessoais que estabelecem. A problemática, que tem sido pouco discutida, está em destaque nas 4.ªs Jornadas do Doente Renal Crónico, que decorrem hoje, a partir das 11h00, no Hotel D. Luís. João Cabete reconhece que os aspectos psico-sociais da insuficiência renal são, normalmente, relegados para segundo plano, dando primazia às temáticas do diagnóstico e tratamento da doença. «Fala-se pouco, mas há, por exemplo, grandes taxas de divórcio, problemas laborais e até despedimentos », que decorrem das alterações que a doença provoca na vida da pessoa, explicou ao Diário de Coimbra.
Na reunião de amanhã, que também assinala o 35.º aniversário da APIR, intervêm o nefrologista João Frazão, o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, o psicólogo Nuno Barata, o enfermeiro Luís Garcia e a assistente social Marta Olim, profissionais que lidam diariamente com doentes renais crónicos. A assistir à exposição de um painel de oradores moderado pelo nefrologista Martins Prata estarão cerca de 180 associados da APIR, doentes, seus familiares e amigos.

Doença afecta 17 mil portugueses
Estima-se que existam em Portugal perto de 17 mil doentes renais crónicos: 10 mil fazem hemodiálise, seis mil são transplantados e cerca de 800 fazem diálise peritoneal. A diabetes e a hipertensão arterial são as duas principais causas de insuficiência renal.
João Cabete considera que Portugal está ao nível do que melhor se faz na Europa em termos de hemodiálise e espera que os cortes na área da saúde não prejudiquem a qualidade dos serviços. Já o transporte dos doentes em hemodiálise tem preocupado a APIR, que critica a demora e a falta de conforto dos veículos colocados à disposição dos doentes pela tutela. A APIR tem cerca de 3.500 associados, 1.500 dos quais na delegação do Centro, instalada na Rua de Montarroio, n.º 53, em Coimbra.

Jornalista Andrea Trindade

  etiquetas ,