PESCA DESPORTIVA - Miguel Ouro Rodrigues confirmou em Penacova, que é o futuro da pesca desportiva

Com apenas 15 anos, Miguel Ouro Rodrigues conseguiu tornar-se Campeão Nacional de Pesca Desportiva sub-18. Para a história fica um barbo de quase dois quilos que ajudou o azambujense a vencer a última prova em Penacova.

“Quem pensa que a pesca desportiva não é um desporto emotivo, engana-se redondamente”. Alexandre Rodrigues, pai e treinador do jovem Miguel Ouro Rodrigues, viveu momentos de grande tensão quando viu que o filho estava prestes a pescar um barbo de 1,900 gramas, peso bastante superior à normalidade dos peixes. “Foi bastante difícil tirá-lo da água, é um peixe selvagem e que luta pela vida” conta Miguel que teve que ter bastante perícia para não partir a cana ou rasgar o fio. No passado dia 13 de Outubro o atleta do Grupo Desportivo da Azambuja sagrou-se Campeão Nacional de Pesca Desportiva na categoria de sub-18 depois de ter concluído quatro provas divididas em Coruche e Penacova.

Apesar de ser o mais novo dos competidores no seu escalão, Miguel, com 15 anos, tem porventura mais experiência que todos os outros. A primeira vez que pegou numa cana foi aos três anos e começou a pescar com cinco, na companhia do pai. “O meu pai e o meu avô sempre pescaram e eu sempre os acompanhei” afirma o pescador desportivo. Com a selecção nacional já participou no Campeonato do Mundo na Eslovénia em 2012 e aguarda ansiosamente pela competição em 2014, a realizar na Holanda. “Vou dar o meu melhor”, garante. Miguel diz que são raras as sessões em que não consegue apanhar peixe. Treina todos os domingos em Coruche, Alpiarça ou na Vala Real, além de já ter pescado de norte a sul do país. O objectivo é conseguir profissionalização e evoluir como pescador. Para ele, um bom atleta tem que ter sorte mas também muitas horas de panier (banca usada pelo pescador). “Um pescador de competição tem que se adaptar aos sítios e saber onde deve colocar o engodo. Não pode estar restringido a uma maneira de pescar”, assegura o atleta explicando que não é nada fácil. O pai e treinador também partilha da mesma opinião e afasta as comparações com a pesca lúdica. “A pesca de competição são escolhas e sorte. Quando se vai para uma competição tem que se estar preparado para tudo e levar o material necessário para o pesqueiro. Não pode faltar nada” elucida Alexandre Rodrigues ressalvando que também é essencial olhar para o lado para ver o comportamento do colega. “Dizem que um pescador tem o sexto sentido e é verdade”, afirma.

As provas de competição só têm lugar em rios e todos os peixes são devolvidos á água depois de serem submetidos a uma avaliação de peso para apurar o vencedor. É um mundo elitista, segundo Miguel. A maior parte dos praticantes usufrui de uma condição económica alta para comprar os melhores equipamentos. Alexandre teve que sacrificar as últimas férias da família para conseguir comprar uma cana nova ao filho que está avaliada em mais de dois mil euros. No entanto, sempre que vão à pesca levam a mulher e a filha que também gostam destas aventuras.

Pesca Desportiva

As provas de pesca desportiva na categoria sub-18 duram três horas. Cada sector do rio é sorteado entre os competidores e é lá que montam os respectivos pesqueiros. Depois é uma questão de sorte e de procurar o peixe, que varia entre barbos, tainhas, carpas e peixe-gato. O engodo, constituído por farinha, pão ou cânhamo, é lançado para o rio para atraí-los. O maior anzol que Miguel Ouro Rodrigues usou tinha 1,5 centímetros e considera que era bastante grande. Já o tamanho médio de uma cana é de 13 metros com as ponteiras incluídas. Os iscos utilizados diversificam conforme o peixe e o rio a que é direccionado e podem incluir larvas de varejeira ou libelinhas, por exemplo.

Grupo Desportivo de Azambuja

O Grupo Desportivo da Azambuja tem uma secção de pesca desportiva desde o ano da sua fundação em 1950, mas já contou com vários anos de interrupção. Alexandre Rodrigues é secretário do clube e seccionista da modalidade. Diz que este ano a equipa de pesca só deve ser formada por três pessoas contando com ele e com o filho. “Um clube vizinho iniciou a modalidade e levou alguns atletas”, explica. Contudo, o jovem Miguel que é o futuro do clube diz que não sai por nada. “É o clube da minha terra e sou muito acarinhado aqui”, afirma orgulhosamente. O projecto do emblema da Azambuja assenta na formação de jovens que raramente desenvolvem o interesse pela pesca. “É um desporto muito caro”, conclui Alexandre.


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