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28 de março de 2014

TRANSPORTE DE DOENTES - Quebra de receitas alarma Bombeiros de Penacova

Associação reúne esta noite em assembleia geral extraordinária para analisar situação, decorrente da “concorrência” no transporte de doentes


Representa seguramente 50% das receitas da associação e a sua redução, já constatada, fez accionar a “sirene” na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova, que hoje reúne em assembleia geral. Uma reunião extraordinária «pedida pela direcção», que tem como ponto único da ordem de trabalhos a “Sustentabilidade financeira da Associação e estabilidade do socorro à população do concelho de Penacova”.

A reunião está marcada para as 20h00, no quartel, e Paulo Dias, presidente da direcção, espera um ampla participação dos sócios, tendo em conta a gravidade da situação, em termos económico-financeiros. A génese da questão prende-se, explica, com um protocolo assinado entre o município e a Cruz Vermelha do Baixo Mondego referente à Secção de Laborins, em S. Pedro de Alva, que permite a esta entidade assegurar o transporte de doentes não urgentes na área do concelho de Penacova, já devidamente integrada na plataforma da ARS.

Uma situação que preocupa a direcção, uma vez que este serviço «representa 50% do orçamento corrente» dos Bombeiros de Penacova, «verba que usamos para aquisição de equipamento de protecção individual, renovação de equipamento e formação, fundamentais para um bom serviço de
socorro às populações». Paulo Dias sublinha a importância desta verba para a «cobertura de um conjunto de despesas», uma vez que os subsídios atribuídos pela Autoridade Nacional, QREN ou pelo município são manifestamente insuficientes.

«Era só uma entidade a prestar esse serviço», refere Paulo Dias, sublinhando que, com a entrada em vigor do protocolo, no último trimestre do ano passado, «são duas entidades a fazê-lo». «Não temos nada contra a Cruz Vermelha, bem pelo contrário», enfatiza o presidente da direcção dos Bombeiros de Penacova, sublinhando que a preocupação está exclusivamente «na perda de receita» e nas consequência que daí irão advir, em termos de meios, materiais e humanos, e os reflexos no socorro. «Queremos apresentar o problema aos sócios, tirar conclusões e tentar arranjar argumentos para repor esta receita para manter a operacionalidade da corporação», afirma. As despesas correntes da associação rondam os 950 mil euros e a facturação do transporte de doentes cifra-se na casa dos 500 mil euros, diz ainda.

Confessando que as “contas” ainda não estão completamente “feitas”, o presidente da direcção tem já uma estimativa da quebra registada no transporte de doentes não urgentes, uma vez que está confirmada uma redução de 18,5% de consumo de combustível. «Um valor substancial», sublinha, fazendo notar que o preço do gasóleo não desceu, desceu foi o volume de deslocações efectuadas e, por inerência, o valor correspondente a receber.

Manuela Ventura - Diário de Coimbra