INCÊNDIOS - Bombeiros querem mais prevenção e menos combate - PENACOVA ACTUAL

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25 de março de 2014

INCÊNDIOS - Bombeiros querem mais prevenção e menos combate

Cerimónia do 92.º aniversário dos Bombeiros de Oliveira do Hospital ficou marcada por “recados” às entidades competentes


O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra, António Simões, defendeu, domingo, em Oliveira do Hospital, um novo paradigma de actuação em relação à floresta que seja capaz de reduzir a área ardida e o «sofrimento das populações com os incêndios». O dirigente falava na cerimónia comemorativa do 92.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital e foi claro ao defender mais investimento em prevenção, pois «não há nada de mais errado do que pensar que com muito dinheiro no combate resolvemos o problema dos incêndios». «Nós próprios que estamos no combate temos de ser os primeiros a dizer que precisamos de investir mais na prevenção», afirmou o também comandante dos Voluntários de Penacova.

António Simões garante que é preciso apostar mais na prevenção, de modo a diminuir o número de ignições, pois «não há país nenhum no mundo que tenha capacidade de resposta» face ao número de ocorrências, pois na fase crítica chegam a registar-se mais de 500 incêndios/ dia. «Isto dá mais de uma ignição por corporação», adverte, lamentando que nem sempre a capacidade de actuação e o espírito de entrega dos bombeiros seja reconhecido e acarinhado.

«Pergunto à população de Oliveira quantas habitações os nossos bombeiros já deixaram arder», questionou, elogiando a «grande capacidade de intervenção» dos bombeiros portugueses, contrariamente «ao que é muitas vezes propalado na comunicação social por muitos daqueles que, não sendo capazes de fazer melhor a montante, atiram as culpas para os outros ». António Simões pediu, por isso, mais empenho «a todos os agentes da prevenção», pois «se fizessem tanto como os bombeiros fazem pelo combate porventura não passaríamos tantas dificuldades».

Também o presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, lamentou «a situação degradante » a que assistiu, depois das sucessivas mortes de bombeiros em combate a incêndios no último Verão, em que «ninguém quis assumir responsabilidades ». «O que devíamos discutir é que tipo de organização temos de ter, em termos de cúpulas, para que não morram mais bombeiros em incêndios», defendeu o edil, numa crítica aos mais altos responsáveis pela protecção civil, que «tentaram fugir às suas responsabilidades » achando que «a culpa morre solteira». São casos “heróicos” como o do adjunto dos bombeiros oliveirenses, Paulo Rocha, que ainda no último Verão conseguiu sobreviver depois de ter ficado cercado pelas chamas num incêndio em Penalva de Alva, que Alexandrino fez questão de recordar e dizer que  representam «o sentido dos bombeiros portugueses» e a sua capacidade de dar resposta «mesmo nas condições mais difíceis».

Agraciado com a medalha “Grau Ouro”, pelos 30 anos ao serviço dos Voluntários de Oliveira do Hospital, o comandante Emídio Camacho recordou e agradeceu todos quantos têm servido a associação e lembrou a capacidade de entrega e o exemplo do adjunto de comando, que «nos fazem reflectir e melhorar a nossa intervenção». Uma intervenção tem vindo a sempre a ser melhorada graças «à grande aposta na formação», que permitiu, no último ano, responder «com empenho» a 138 saídas para incêndios, a mais de 2400 serviços de urgência e a 4100 serviços de transporte de doentes. Profissionalismo e competência que foram reconhecidos na pessoa do sub-chefe dos bombeiros oliveirenses, Ângelo Martins, que recebeu o prémio Manuel Serra, pelos bons serviços prestados durante o ano de 2013. Margarida Prata 

Originalmente publicado na edição de 25.03.2014 do Diário de Coimbra - Não disponível online - Foto Folha do Centro

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