OPINIÃO - Paulo Rangel, o ministro tem razão

Paulo Rangel apresentou-se esta semana como cabeça de lista da coligação entre o PSD e o CDS/PP às eleições europeias marcadas para 25 de Maio e disse de forma clara ao que vem e porque se candidata: vem para dar voz às políticas do Governo e candidata-se para, na Europa, defender a violenta austeridade de que países como Portugal têm sido vitimas!

No discurso da sua apresentação como candidato e em que foi formalizada a coligação entre os dois Partidos que governam Portugal, acusou o Partido Socialista de estar isolado na Europa. E tem razão!

O Partido Socialista tem estado isolado, pelo menos sem contar com o PSD e o CDS/PP, na defesa de outras políticas europeias. Sendo certo que Portugal não ultrapassará a maioria dos seus problemas económicos, financeiros e sociais por si só, é verdade que o Partido Socialista tem estado isolado a defender outras soluções que permitiriam aos portugueses outra esperança e a Portugal outro rumo.

Paulo Rangel tem toda a razão! O Partido Socialista tem estado isolado na defesa da mutualização da divida.

O Partido Socialista tem estado isolado na defesa do financiamento directo do Estado através dos Bancos Centrais. O Partido Socialista tem estado isolado na defesa de maior prazo para os seus compromissos financeiros internacionais.

O Partido Socialista tem estado isolado na defesa da criação de uma agência de rating autónoma, na defesa do reforço do orçamento europeu através de um imposto europeu sobre transacções financeiras, na defesa da aceleração da disponibilização dos fundos estruturais de forma a promover mais rapidamente o crescimento económico e o emprego, entre muitas outras importantes medidas.

De facto, não há dúvida, Paulo Rangel tem razão! O Partido Socialista tem estado isolado em demasiadas matérias importantes no contexto europeu onde governa a direita liderada por Durão Barroso e Ângela Merkel e de que Paulo Rangel, Passos Coelho e o Governo português são fiéis executantes políticos, submissos a todas as orientações mesmo que seja evidente a destruição de Portugal.

Não há nenhum português que não tenha já percebido que o actual contexto político europeu, as políticas europeias e a sua aplicação intransigente em Portugal, só têm trazido mais pobreza, mais desigualdades e um retrocesso civilizacional de décadas.

Por isso mesmo, seria de esperar que Paulo Rangel se tivesse apresentado aos portugueses como seu aliado na defesa dos interesses nacionais na Europa, com propostas alternativas que defendessem o País no contexto internacional.

Mas não, nem uma! Paulo Rangel optou por se apresentar como o Ministro do Governo de Portugal na Europa.

Texto de opinião originalmente publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 03.03.2014

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