ADELO 20 anos - Entrevista a Humberto de Oliveira - PENACOVA ACTUAL
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9 de junho de 2014

ADELO 20 anos - Entrevista a Humberto de Oliveira


Penacova é associado da AD ELO desde a sua criação, há 20 anos. Qual é o segredo da longevidade desta associação? Que balanço faz do trabalho realizado?

HUMBERTO OLIVEIRA O segredo da associação é o seu profissionalismo. Tem a ver com os seus coordenadores, com os seus técnicos, com o apoio político dos órgãos sociais nos últimos 20 anos. Todos têm permitido que esta associação se tenha mantido activa e com um trabalho em prol do desenvolvimento local que está acima da média face às suas congéneres no país.

Em que medida os projectos apoiados, através da AD ELO, têm sido estratégicos para o desenvolvimento do concelho? Pode dar exemplos de alguns desses projectos?

H.O. - Posso dar vários exemplos daquilo que tem sido a responsabilidade de gerir o LEADER. São projectos que têm sido fundamentais e estratégicos para um território como o nosso. Na questão do sector primário, no apoio à agricultura e, no caso de Penacova, à micro agricultura. Mas também no turismo, no apoio às micro empresas, à valorização do património e, não menos importante, o apoio que foi possível dar às nossas associações. Necessitamos de desenvolvimento económico, é certo, mas precisamos das condições mínimas para que as pessoas possam manter um bem estar social. E as associações, embora estejam algo deslocadas do sector primário e da economia, são fundamentais para este desenvolvimento. O melhor exemplo que posso dar em termos de projectos apoiados é o dos Moinhos da Atalhada, que tem passado e futuro. Passado porque no primeiro LEADER o projecto foi apresentado por uma associação, teve apoio e foi feita a requalificação. Tem futuro porque neste momento temos uma candidatura em nome do Município de requalificação de mais moinhos. Esta requalificação do património com aproveitamento para a economia é essencial.

Aproxima-se um novo Quadro Comunitário de Apoio. Que desafios terá a AD ELO pela frente e qual é a sua importância para que o concelho venha abeneficiar dos próximos fundos comunitários?

H.O. - Está a desenhar-se o novo programa comunitário de apoio e os Grupos de Acção Local serão entidades gestoras do Desenvolvimento Local de Base Comunitária, o que será um grande desafio para a AD ELO. O grande esforço a fazer é a negociação dos valores. A quantidade pode não ser sinónimo de qualidade, é verdade, e nós pretendemos cada vez mais qualidade. Mas é preciso estar atento e temos de conseguir os valores coerentes com as nossas necessidades e também com o histórico de execução da AD ELO. O Desenvolvimento Local de Base Comunitária, num território como o de Penacova, é essencial
.
No que respeita ao concelho de Penacova, em que áreas este apoio comunitário será fundamental?

H.O. - As linhas estratégicas deste programa foram muito bem definidas para os municípios. A requalificação e valorização do património natural e edificado permite-nos um grande conjunto de intervenções ainda a fazer. O projecto europeu NEA2 – Náutica no Espaço Atlântico visou o desenvolvimento sustentável e coordenado do conjunto da fileira náutica nas regiões da faixa atlântica (actividades, portos de recreio, indústria, comércio e serviços), através de um reforço de cooperação baseado em três eixos temáticos: o desenvolvimento económico, a protecção do ambiente, a coesão social. De forma a concretizar os objectivos definidos no projecto NEA2, a AD ELO realizou inúmeras acções, de cariz transnacional e local, das quais se destaca a construção de um exemplar da embarcação Barca Serrana do Rio Mondego. Esta iniciativa para além de promover o desenvolvimento económico local em torno da utilização desta embarcação tradicional como factor de promoção da utilização turística do Rio Mondego, contribuiu ainda para a preservação do património e registar para memória futura o saber-fazer que pode ser transmitido às gerações mais jovens, para que as tradições, usos e costumes dos nossos antepassados perdurem no tempo.

Reconversão dos Moinhos de Vento da S. da Atalhada

Este projecto, entre 1998 e 2002, consistiu na recuperação de moinhos de vento, reconvertendo-os em unidades de alojamento, inseridas no turismo em espaço rural, dando assim origem a um pequeno aldeamento turístico, o qual contou também com a recuperação de um moinho tradicional e de um moinho museu. Esta primeira intervenção teve o Centro de Convívio e Cultura de Zagalho e Vale do Conde como promotor.

Mais recentemente, no âmbito do Eixo 3 do PRODER LEADER AD ELO, em 2013 foi aprovado um projecto promovido pelo Município de Penacova para a recuperação dos moinhos da Serra da Atalhada. 

Este pedido de apoio, concentra os esforços na recuperação dos quatro moinhos que pertencem à Câmara Municipal de Penacova, e que são actualmente os únicos que não estão recuperados. A Serra da Atalhada tem ainda 23 moinhos, e os que não são do Município pertencem a particulares, que nos últimos anos têm vindo a ser recuperados pelos particulares com o objectivo de habitação de turismo em espaço rural. 

O objectivo é recuperar a arquitectura dos quatro moinhos, e num deles recriar todo o sistema de moagem de cereal. Este moinho será uma espécie de museu vivo, o qual o Município irá integrar nos futuros pacotes turísticos, que, em parceria com unidades hoteleiras, dará a conhecer o património rural, histórico, cultural e gastronómico do Município de Penacova. Com esta intervenção pretende-se dotar a Atalhada de novos atributos turísticos por forma a tornar este espaço um ponto de paragem para turistas.

“NEA2 - Náutica do Espaço Atlântico - Barca Serrana
  
O projecto europeu NEA2 – Náutica no Espaço Atlântico visou o desenvolvimento sustentável e coordenado do conjunto da fileira náutica nas regiões da faixa atlântica (actividades, portos de recreio, indústria, comércio e serviços), através de um reforço de cooperação baseado em três eixos temáticos: o desenvolvimento económico, a protecção do ambiente, a coesão social. De forma a concretizar os objectivos definidos no projecto NEA2, a AD ELO realizou inúmeras acções, de cariz transnacional e local, das quais se destaca a construção de um exemplar da embarcação Barca Serrana do Rio Mondego. Esta iniciativa para além de promover o desenvolvimento económico local em torno da utilização desta embarcação tradicional como factor de promoção da utilização turística do Rio Mondego, contribuiu ainda para a preservação do património e registar para memória futura o saber-fazer que pode ser transmitido às gerações mais jovens, para que as tradições, usos e costumes dos nossos antepassados perdurem no tempo.

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