INCÊNDIOS FLORESTAIS - Florestas do Centro preparadas para o calor


Menos incêndios, mas mais área ardida, é o balanço do primeiro semestre de 2014 referente a incêndios nas florestas portuguesas. À primeira vista este balanço provisório surpreende, atendendo à chuva que tem caído, com regularidade, ao longo dos últimos meses, mas o facto de alguns incêndios, principalmente no norte, terem tomado grandes proporções acabou por trocar as voltas aos bombeiros.

A região Centro tem sido poupada, apenas registando um incêndio de grandes dimensões, em Semide, Miranda do Corvo, em meados de maio passado.

Adolescentes provocaram 30 focos de incêndio

Em simultâneo ocorriam cerca de 30 focos de incêndio florestal, em dias seguidos, no perímetro da Escola Superior Agrária de Coimbra e nas suas imediações, mas que não passaram de fogos nascentes. O que tomou maior proporção foi a notícia de que os presumíveis incendiários eram quatro estudantes, entre os 16 e os 18 anos, detidos pela Polícia Judiciária  (PJ) há um mês. Soube-se que utilizavam isqueiros, num “quadro de diversão e atração pelo fogo”. Estão a aguardar a decisão da justiça mas, até lá, têm de se apresentar dia sim, dia não, na esquadra da PSP cidade.

Ao todo, a diretoria do Centro da PJ já deteve, este ano, cinco indivíduos, de um total de duas dezenas, a nível nacional, o que representa o triplo do que aconteceu em período homólogo de 2013.

Todavia, as maiores preocupações começam agora, com o anúncio de temperaturas a rondar os 30 graus a partir de amanhã, depois de alguns dias de chuva.

Para dar resposta ao que se anuncia, a Fase Charlie do dispositivo de meios florestais – a decorrer de 1 de julho até 30 de Setembro – contempla reforço de equipamento e recursos humanos.

Quanto a meios aéreos, estão garantidos três helicópteros bombardeiros ligeiros nos aeródromos de Cernache/Coimbra, Lousã e Pampilhosa da Serra durante os três meses de mais calor, mas a grande novidade para a região Centro – em relação ao ano passado – tem lugar no aeródromo de Seia (distrito da Guarda), onde estão dois aviões Canadair (bombardeiros pesados), a curta distância das florestas do Pinhal Interior.

Dois mil bombeiros e equipas especializadas

No terreno, o distrito de Coimbra (no seu conjunto, durante o verão), conta com dois mil bombeiros, de 24 corporações, sendo que há nove equipas (de cinco bombeiros cada) de intervenção permanente, mais uma que o distrito da Guarda, mas menos do que nos restantes da região Centro: Aveiro (21), Leiria e Viseu (12) e Castelo Branco (10).

Pelo contrário, os meios de prevenção disponibilizados pela GNR no distrito de Coimbra (SEPNA)  representam o segundo maior número de operacionais e veículos existentes num só distrito (82/34), só ultrapassados por Vila Real.

Já os meios do Grupo de Intervenção e Socorro (GIPS) neste território ficam a meio da tabela nacional, com 48 militares e sete viaturas, distribuídos pela Lousã e Pampilhosa da Serra.| António Rosado 

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