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29 de julho de 2014

SAÚDE - Mais de 173 mil pessoas receberam cheques-dentista desde Janeiro

Mais de 173 mil pessoas já receberam cheques-dentista desde Janeiro, com a maior fatia de beneficiários a ser a das crianças dos 7 aos 13 anos, segundo números oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas. Nos primeiros cinco meses do ano, 173.259 pessoas receberam cheques-dentista, com uma taxa de utilização total a rondar os 65%, mas que varia dos 24% nos jovens de 15 anos aos 85% nos doentes com VIH/sida.
Os principais beneficiários são as crianças com 7, 10 e 13 anos das escolas públicas, que receberam já mais de 120 mil cheques para usar em tratamentos dentários em consultórios privados. Desde o início do programa, em 2008, cerca de 1,9 milhões de utentes tiveram acesso a cheques-dentista, com os quais foram realizados mais de 6,5 milhões de tratamentos.
Este Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral abrange crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7, 10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida. Desde o início do programa, o número de beneficiários tem vindo sempre a aumentar, tendo superado os 413 mil no ano passado, com mais de 633 mil cheques emitidos e 408 mil efectivamente usados.
Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, os dados do programa mostram ainda que a severidade das lesões tratadas tem vindo progressivamente a diminuir, o que vai ao encontro dos objectivos. Cerca de 60% das intervenções realizadas correspondem a procedimentos preventivos, como aplicação de selantes (protectores das fissuras dos dentes contra a cárie dentária), com a incidência das cáries a apresentar diminuições consideráveis nas crianças, "o principal alvo" do programa.
A Ordem dos Médicos Dentistas defende, contudo, que o programa seja alargado aos diabéticos, lembrando que é um grupo com riscos adicionais para problemas de saúde oral. Para o bastonário, Orlando Monteiro da Silva, na actual situação económica do país "deve ser ponderado o alargamento do programa a grupos de risco adicionais, como os diabéticos". Para isso, Monteiro da Silva frisa ser necessário um "aumento da dotação orçamental" do programa, recordando ainda que há cerca de um milhão de diabéticos diagnosticados no país.
Apesar de a questão das verbas necessários para alargar os cheques-dentista ser uma decisão do Ministério da Saúde, o bastonário considera que se trata de "um investimento que permite uma racionalização de custos". "Há uma relação enorme entre diabetes e saúde oral. A diabetes precisa de estar controlada para se ter uma boa saúde oral e vice-versa. É preciso um bom controlo da saúde oral, principalmente ao nível da gengiva e do osso, para que a diabetes não seja exacerbada", explicou à agência Lusa.
Recentemente, a Entidade Reguladora da Saúde questionou a universalidade e equidade no acesso aos cheques-dentista, lembrando que ficam de fora crianças que frequentam escolas privadas e grávidas não seguidas nos serviços públicos. Actualmente, são 3305 os médicos dentistas a colaborar com o programa, que chega a mais de 5500 clínicas e consultórios em todo o país.

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