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4 de agosto de 2014

TRADIÇÕES - Lembrar a vida das lavadeiras do Mondego


Embora hoje esses dias já pareçam longínquos, não foi assim há tanto tempo que as margens do Mondego eram local de trabalho duro, mas também de encontro e convívio para quase todas as mulheres que viviam nas margens do rio, entre Coimbra e Penacova. As lavadeiras são agora lembradas e homenageadas na iniciativa que, desde há cinco anos, preserva a memória da “barrela” no Mondego.

Foi exatamente o que aconteceu este fim-de-semana, com uma recriação tão genuína que até S. Pedro colaborou, enviando uma chuvada a fazer lembrar os tempos mais difíceis e a vida muito dura das mulheres que lavavam a roupa no rio há 40 ou 50 anos. O encontro juntou antigas lavadeiras e todos os que quiseram participar, na margem do rio, junto à Praia Fluvial de Palheiros e Zorro, numa iniciativa da Associação Desportiva e Recreativa de Casal da Misarela, Misarela, Ribeira, Barca e Vale de Canas.

Ao DIÁRIO AS BEIRAS, Isabel Batista, presidente da Associação Desportiva e Recreativa (ADR) de Casal da Misarela, Misarela, Ribeira, Barca e Vale de Canas, adiantou que esta é uma iniciativa para continuar.

“Este é o quinto ano em que se celebra a lavadeira, com uma homenagem merecida a muitas mulheres da nossa freguesia e de todos os lugares aqui à volta”, onde quase todas as mulheres eram lavadeiras, explicou.

Lavavam e, à segunda-feira, entregavam a roupa às suas clientes em Coimbra. Roupa e lenha – para os fornos das padarias da cidade – eram transportadas pelos barqueiros do Mondego, nas suas barcas serranas [de que existe uma réplica no Parque Dr. Manuel Braga, junto ao Museu da Água] até Coimbra. O facto é que, há 40, 50 anos, “a maior parte das pessoas faziam a sua vida aqui no rio”. As lavadeiras tinham os seus sítios (mais próximos das suas casas): nos Palheiros, na Barca, no Bico da Areia (Casal da Misarela, Ribeira e Misarela). E, amigavelmente, dividiam o areal por lotes para fazerem todas as operações – lavagem, barrela, coragem e seca – que a limpeza da roupa exigia.

E, recordaram ontem antigas lavadeiras, esta atividade das mulheres das margens do Mondego manteve-se até há cerca de 30 anos, altura em que as máquinas de lavar roupa começaram a fazer parte dos eletrodomésticos habituais em grande parte das famílias, sobretudo na cidade. Mas ainda há muita gente que continua a lavar a sua roupa no rio.

Jornalista Lídia Pereira