SAÚDE - Enfermeiros emigram, serviços continuam carenciados e indicadores de saúde degradam-se


Meio milhar de novos enfermeiros receberam esta sexta-feira em Coimbra os seus títulos profissionais, ensombrados pelo desemprego ou emigração, quando na Região Centro há necessidade de reforçar em mais um terço o número dos que estão no ativo.

«É triste, mas ainda é mais triste e de lamentar o facto de sabermos que eles são precisos cá. Temos grande parte dos nossos serviços de saúde carenciados de enfermeiros e essas necessidades do país em cuidados de enfermagem não estão a ser respondidas», afirma Presidente da Secção Regional do Centro (SRC) da Ordem dos Enfermeiros (OE).

A SRC realiza na tarde de sexta-feira a sua Cerimónia de Reconhecimento Profissional e de Vinculação à Profissão, com a participação do Bastonário da OE, Enfº Germano Couto. Nela serão homenageados enfermeiros que se aposentaram, e serão dadas as boas-vindas aos 540 recém-licenciados, que passam a estar habilitados para o exercício profissional da Enfermagem. 

No primeiro semestre do corrente ano a SRC realizou Visitas de Acompanhamento do Exercício Profissional (VAEP) a 35 serviços de saúde dos seis distritos da Região Centro e neles detetou a carência efetiva de 293 enfermeiros. Nesses mesmos serviços o quadro de profissionais era de 844 enfermeiros.

«Correspondem a uma percentagem muito pequena daquilo que é a realidade dos serviços de saúde na Região Centro», afirma a Enfª Isabel Oliveira, explicando que essas 35 VAEP incidiram sobre contextos muito diferenciadas, desde serviços de urgência de centros hospitalares de grandes dimensões, até pequenas unidades de cuidados de saúde primários. No entanto, na generalidade as dotações de enfermeiros encontravam-se deficitárias.

A 31 de dezembro de 2013 estavam inscritos na OE 14556 enfermeiros com domicílio profissional nos seis distritos da Região Centro.

A Ordem dos Enfermeiros aprovou em maio a Norma Para o Cálculo das Dotações Seguras dos Cuidados de Enfermagem, que norteia o número adequado de profissionais para cada serviço, de acordo com as intervenções que realiza.

Segundo a presidente da SRC, defender as Dotações Seguras «não é exclusivamente uma reivindicação de mais profissionais, mas apontar que são precisos efetivamente mais enfermeiros para que haja cuidados de qualidade e seguros» para os cidadãos.

«Resta saber quais os custos a médio e longo prazo pelo facto de a nossa população e os nossos cidadãos não estarem a ter aquilo que em termos de cuidados lhes é devido, enquanto direito consagrado na Constituição da República», acentua. 

Realça que os enfermeiros têm um papel da maior relevância na prevenção e na promoção da saúde, e nesse aspeto Portugal não está a investir.

As quatro principais causas de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares (32%), cancro (28%), doenças crónicas respiratórias (6%) e diabetes (5%). 

Para a dirigente da Ordem dos Enfermeiros, só se conseguem melhorar estes indicadores através de uma consistente prevenção, da promoção de comportamentos saudáveis, capazes de minimizar os elevados défices de literacia que a sociedade revela. 

Esta semana um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública revelou que em Portugal o nível de literacia em Saúde é problemático ou inadequado. Nele evidencia que pelo menos seis em cada 10 portugueses não têm bons conhecimentos em assuntos de Saúde.

Esta conclusão consta de um relatório no âmbito do Questionário Europeu de Literacia em Saúde realizado em nove países. Portugal apresenta os piores resultados a seguir à Bulgária.


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