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3 de novembro de 2014

DIVISÃO DE HONRA - União derrotado em casa, por adversário de qualidade

A primeira eliminatória da Taça da AFC ditou que o líder defrontasse em casa o 2.º classificado da Divisão de Honra, pelo que o jogo foi um convite à mobilização do público. Quem se deslocou ao Campo da Feira Nova, em Gavinhos, acabou por assistir a um verdadeiro atestado de qualidade do futebol distrital, interpretado, sobretudo, pelos “azuis e brancos” da Carapinheira.


A formação orientada por António Cortesão, que dista 3 pontos do União FC na classificação mas com menos um jogo – à entrada para este jogo da Taça, o Carapinheirense tinha festejado por 17 vezes o golo para o Campeonato sem sofrer nenhum –, exibiu todos os seus atributos, não permitindo grandes veleidades aos visitados que, embora “empurrados” pela vontade de vencer do seu público, não encontraram o antídoto para “destruir” o futebol dos visitantes. O equilíbrio foi algo que não se viu no primeiro período da partida, devido, essencialmente, à pressão exercida pelos jogadores do Carapinheirense que, antes da meia hora, já tinha obtido dois “carimbos” para adornar o “passaporte” para a eliminatória seguinte.

O brasileiro Gustavo, aos 9 minutos, deixou o aviso, mas o seu remate acabou desviado para além da linha de fundo por Danilo. No entanto, bastaram 5 minutos para Cleyton, assistido na perfeição por Seidy, traduzir em golo o ascendente dos “azuis e brancos”.

Jogadas bem delineadas baralharam visitados

Esperava-se a reacção natural dos visitados, mas foram os visitantes que continuaram a delinear jogadas de elevado recorte técnico, esmiuçando as pretensões dos donos de terreno que perseveravam num futebol pouco produtivo. Perante este cenário, o Carapinheirense nunca deixou de povoar o meio campo do União FC até que, aos 26 minutos, foi Alex, de pé esquerdo, a fazer a bola “descrever” um arco e anichá-la no fundo da baliza de Gonçalo, que nada pôde fazer para evitar a segunda explosão de alegria dos visitantes.

Aos 30 minutos, Guilherme, ex-júnior do U. Coimbra, não teve cabeça para dilatar o marcador, já que o seu remate foi travado a dois tempos por Gonçalo, na sequência de um livre apontado na direita por Alex. Só aos 34 minutos é que o União FC conseguiu aproximar-se com perigo da baliza contrária, quando Vítor Martins sacudiu uma bola desferida à entrada da área por Faca, com Reinaldo, na recarga, descaído na direita, a fazer passar a bola próximo da linha de golo mas direccionada para o lado contrário em que se encontrava.

Eventuais dúvidas relativamente ao vencedor deste jogo ficaram dissipadas aos 39 minutos, com Guilherme, já no interior da área, a rematar cruzado fora do alcance do guarda-redes Gonçalo, a passe milimétrico de Faria, na direita. Ao intervalo, o resultado não merecia qualquer contestação, com alguns adeptos afectos ao clube local a renunciar, uma vez que só um milagre colocaria o União FC na rota do sucesso.

Contudo, foi exactamente na segunda parte que os visitados foram crescendo, até porque o Carapinheirene, com o resultado construído, optou pela contenção de esforços. Tratou-se de um período em que o equilíbrio foi mais patente, sobretudo após a entrada de Tiago, a partir do minuto 71.

Os minutos iam passando e o nervosismo ia-se instalando. A tarde começava a ficar fria mas o ambiente ia aquecendo dentro das quatro linhas. Se de um lado o Carapinheirense procurava dilatar o marcador, o União FC diligenciava o ambicionado fôlego para continuar a ficar na luta. Os visitantes, no entanto, permaneciam audazes e lutadores, e nunca viraram a cara à luta. Já do lado dos visitados, o sofrimento prolongou-se até ao final sem que, no entanto, Reinaldo e Pimpão perdessem de vista o caminho que os levasse ao golo.

Naturalmente que o resultado de 0-3 ilustrava a razão pelo qual o Carapinheirense é apontado como um sério candidato ao título, mas as “mexidas” em ambos os conjuntos estimularam os visitados que, já em período de compensação, assinaram o golo de honra apontado subtilmente por Tia go, jovem que saltou do banco com muita energia mas incapaz de produzir um choque eléctrico para inverter o resultado.

Porém, o público empolgou-se com o “murro na mesa” de Tiago. O jovem fez um belo golo, num misto de raiva, garra e sentimento. Sem medo, furou toda a defesa da formação proveniente da Carapinheira para um golo que, embora não fosse decisivo, atenuou de certa forma a frustração de 90 minutos de tormento.

A equipa de arbitragem fez um trabalho de excelente nível.| Carlos Sousa

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