SINISTRALIDADE - Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada assinalado em Coimbra - PENACOVA ACTUAL
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17 de novembro de 2014

SINISTRALIDADE - Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada assinalado em Coimbra

Os acidentes rodoviários provocaram, em 100 anos, mais e 25 milhões de mortes, em todo o mundo - «mais do que as da 2.ª Guerra Mundial» - e são a causa de 1,3 milhões de mortes, por ano, a nível mundial. Em Portugal, em 2006, a sinistralidade teve um peso de 1,64% no PIB e, apesar do número de vítimas mortais ter reduzido um terço em relação a dez anos atrás e de se ter já conseguido alcançar a metade dos mortos de há uma década, ambicionada para 2020, a verdade é que este ano já morreram 397 pessoas nas estradas portuguesas.

«Um desastre automóvel não é noticiado como uma tragédia, um horror, um genocídio ou um flagelo, como o ébola, mas é um matador silencioso, recorrente e constante. Só quando for reconhecido como um trauma mundial é que pode ser combatido e resolvido», disse ontem, em Coimbra, Manuel João Ramos, presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.

Um dos porta-vozes da luta pela segurança rodoviária intervinha durante as comemorações do Dia Mundial em Memória das Vítimas na Estrada, que se assinalou ontem, em Coimbra, sob o mote “Velocidade Mata”.

«A grande ambição é podermos comemorar o dia sem mortes nas estradas», disse Jorge Jacó, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, admitindo que «há um caminho a percorrer», nomeadamente de educação rodoviária.

«Na juventude, a sinistralidade rodoviária é a primeira causa de morte», afirmou, falando no problema da velocidade, «especialmente preocupante no meio urbano», mas também no excesso de álcool, contra o qual «ainda não houve os resultados esperados ». «Um em cada três mortos tem uma taxa de álcool no sangue superior ao legal e, destes, 80% com valores correspondentes a crime», afirmou.

A comissária Margarida Oliveira, da PSP de Coimbra, falou na intensificação das acções de fiscalização promovidas pela polícia a nível nacional na última década. «Passámos de 71 mil para 450 mil testes por ano, com um decréscimo da percentagem de transgressões», afirmou. Em 2004, 14% dos automobilistas tinham uma taxa de alcoolemia acima do que é legal. Este ano, 4% dos automobilistas não respeita o lema: “Se conduzir, não beba”.

Na sessão, promovida pela Estrada Viva – Liga contra o Trauma, em colaboração com a Escola Superior da Educação (ESEC), em especial da professora e psicóloga Maria de Fátima Pereira da Silva, participaram ainda Adérito Araújo, presidente da GARE, Francisco Paz, da Câmara de Coimbra, João Paulo Seguro, da GNR de Coimbra e Adília Ramos, da ESEC. As comemorações prolongaram- se por todo o dia com várias actividades.

Menos mortos e mais feridos graves e acidentes em 2014

De 1 de Janeiro até 7 de Novembro deste ano registaram- se, em Portugal, 98.372 acidentes, o que significa mais 840 sinistros do que em igual período de 2013. Aliás, de acordo com dados
revelados ontem pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a propósito do Dia Mundial da Memória das Vítimas da Estrada, apenas no que respeita ao número de mortos, os valores deste ano são mais animadores em relação aos do ano passado.

Até 7 de Novembro registaram-se 397 vítimas mortais nas estradas portuguesas. Em 2013, por esta altura, o número já ia em 433 mortos. No que respeita ao número de feridos graves, este ano, o número subiu para os 1.736, quando no ano passado estava nos 1.674. A ANSR aponta os distritos do Porto e de Lisboa como aqueles em que se regista maior número de mortos (51 e 50 mortos, respectivamente) e os de Portalegre e Guarda como os menos mortais (sete mortes em cada um). | Ana Margalho

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