SAÚDE - Outras Cidadanias da Enfermagem - PENACOVA ACTUAL

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19 de dezembro de 2014

SAÚDE - Outras Cidadanias da Enfermagem



Outras Cidadanias é o tema de uma edição especial da revista Enfermagem e o Cidadãoque hoje é distribuída gratuitamente na Região Centro, com testemunhos e entrevistas de enfermeiros a evidenciar distintas formas atuar nas sociedades.

Publicação periódica da Secção Regional do Centro (SRC) da Ordem dos Enfermeiros (OE), dirigida aos cidadãos, nesta edição revela enfermeiros que em contextos inóspitos levam mais longe a prática da enfermagem, ou a interligam com outras formas de intervir na sociedade, nomeadamente à frente de juntas de freguesia e câmaras municipais.

Com uma tiragem de 5.000 exemplares, é oferecida aos cidadãos nos transportes urbanos de Coimbra, Viseu e Leiria, e pode também ser encontrada na sede da SRC, em instituições e serviços de atendimento ao público dos seis distritos do Centro de Portugal.

O fundador há 35 do Serviço Nacional de Saúde, Dr. António Arnaut, testemunha na rubrica “Como o cidadão vê a Enfermagem” através de um artigo intitulado “Enfermagem e Cidadania”.

Nela apresenta uma experiência pessoal para concluir que, embora todos os profissionais de saúde cuidem do doente, “quem cuida presencialmente, quem toca com a mão na mão é o enfermeiro”.
O sentido de permanência no cuidar, essa função tão absorvente do enfermeiro, pode, na perspetiva do Dr. António Arnaut, não excluir a cidadania, mas o exercício de um outro cargo, ou de um cargo político permanente.

Armando Mourisco é enfermeiro e preside à Câmara Municipal de Cinfães. Tânia Cameira e Marlene Lopes conciliam o exercício quotidiano da enfermagem com o cuidar dos cidadãos nas presidências das juntas de freguesia de Marmeleiro (Guarda) e Germil (Penalva do Castelo).

Todos eles levaram para as autarquias o saber e a sensibilidade do cuidar na dimensão humana, inerente à enfermagem. As enfermeiras-autarcas Tânia e Marlene tanto ajudam os cidadãos das suas aldeias nos problemas sociais ou de obras públicas, como dão conselhos sobre alimentação, toma dos medicamentos ou vacinação.

A Ana Luísa Campos é enfermeira, mas a sua vida é preenchida com outra paixão, a música. Ao piano, no canto ou no ensino de crianças encontra as “forças necessárias para descansar e recuperar energias” para uma profissão como a Enfermagem, tão absorvente física e psicologicamente.

Com relatos na primeira pessoa, a Márcia Martins revela uma lição de vida no Chade. A Joana Sá desvenda as andanças como enfermeira em contextos de conflito, pelo Paquistão, Congo, Líbia, Líbano, Sudão do Sul e Gaza. O Daniel Martins divulga o dia-a-dia de um enfermeiro numa plataforma petrolífera no Mar de Angola. O Pedro Cabeleira mostra como levou a Enfermagem em viagem pelo planeta, por Coimbra, Porto, Espanha, Itália, Brasil, Congo, Colômbia, Etiópia, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Mauritânia. 

A Marcia Martins partilha como um ligeiro toque de mão e um olhar sumido lhe suplicaram: “não desistas de mim”. Cinco meses depois Hafiz, pastor nómada, partia de sorriso rasgado pelo deserto do Sahara. A guerra tirara-lhe toda a família, mas ele ia prosseguir com a sua vida.

A Joana Sá conta que uma mulher do Congo lhe pediu para levar consigo a família, para escapar a um dia em que um grupo armado lhe entrasse em casa para chacinar e violar as filhas. 

«A cidadania materializa-se no exercício dos direitos e deveres sociais e políticos de cada um de nós. Há cidadãos que se destacam pela elevação e dignidade que conferem ao mesmo. São esses cidadãos que são o farol da sociedade e o exemplo do verdadeiro exercício da cidadania», afirma, no editorial, a presidente do Conselho Diretivo Regional da SRC.

No entendimento da Enfª Isabel Oliveira, «uma profissão existe e concorre para a construção da sociedade e também ela contribui para o efetivo exercício da cidadania. A profissão aprende-se na escola e a cidadania exercita-se na vida».

A diretora de Enfermagem e o Cidadão convida o leitor «a mentalmente esquecer a Enfermagem e a focar-se no Cidadão, e assim poder desfrutar dos escritos das Cidadãs Tânia Cameira, Marlene Lopes, Márcia Martins, Joana Sá e Ana Luísa Campos, e dos Cidadãos António Arnaut, Armando Mourisco, Daniel Almeida e Pedro Cabeleira.