SÃO PEDRO DE ALVA - Saudade dos Santos, fadista e poetisa, faleceu ontem com 75 anos - PENACOVA ACTUAL
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24 de janeiro de 2015

SÃO PEDRO DE ALVA - Saudade dos Santos, fadista e poetisa, faleceu ontem com 75 anos

O funeral da fadista e poetisa Saudade dos Santos, ontem falecida em Lisboa, aos 75 anos, realiza-se na segunda-feira, a partir da Basílica da Estrela, em Lisboa, disse à Lusa um familiar, que não precisou a hora.


Saudade Cordeiro dos Santos nasceu em S. Pedro de Alva, no concelho de Penacova, distrito de Coimbra.
A fadista foi criadora de vários êxitos, entre os quais "Ó meu amor, marinheiro", e do seu repertório, fazem parte, entre outros, "Chico da Mouraria", além de poemas da sua autoria.
Saudade dos Santos, que projetava publicar a sua obra completa de poesia, venceu em 1957 o concurso Rainha do Fado, realizado em Lisboa.
"Foi no Linhó, no concelho de Sintra, para onde veio viver com os pais, que começou a dar os primeiros passos no fado. Por brincadeira ia trauteando vários fados do repertório de Amália Rodrigues, acompanhada à flauta pelo pai", contou à Lusa o jornalista e investigador de fado Armando Castela.
Aos 17 anos começou a trabalhar num escritório de advogados em Lisboa "e, sempre que possível, marcava presença em várias casas de fado".
"Na sequência destas participações constantes surge a oportunidade de participar, em 1957, num concurso, organizado pelo jornal `Vozes de Portugal`, intitulado `Rainha do Fado`, que venceu. O prémio foi uma viagem de um mês a Moçambique", disse a mesma fonte.
Regressou a Lisboa e atuou em várias casas de fado, entre elas a "Tágide" que, "à época, era a melhor e mais bem frequentada `boîte` de Lisboa, onde atuavam os melhores artistas nacionais e estrangeiros".
Saudade dos Santos começou a ser presença assídua na RTP, na extinta Emissora Nacional e noutras rádios, evidenciando "uma grande atividade artística, com contratos nos casinos de norte a sul do país".


Em 1963, o empresário Vasco Morgado convidou-a para fazer parte do elenco da revista "Lisboa à noite", no extinto Teatro Avenida, em Lisboa, que incluía ainda António Silva, Raul Solnado e Humberto Madeira, entre outros, e à qual se seguiu a participação na comédia "Uma noiva caída do céu", com Humberto Madeira e Ribeirinho, também no Avenida.
"Ao convite também não é alheio o facto de Saudade dos Santos ser considerada na altura uma das mais bonitas e elegantes intérpretes do fado", afirmou Armando Castela.
A convite do Ministério da Defesa, participou no espetáculo "Caravana da Saudade", que foi apresentado em Angola para os soldados que se encontravam em missão de combate. Max e Maria Mariza e o acordeonista Filipe de Brito, faziam também parte do elenco. Voltou a Angola, numa revista do empresário Joseppe Bastos, em que contracenou com Leónia Mendes, Maria Dulce e Carlos Coelho.
"Voltou a Portugal, realizou vários espetáculos e foi convidada para inaugurar a mais luxuosa `boîte` da ex-Lourenço Marques [atual Maputo]", disse Armando Castela.
Participou na revista "Lisboa Antiga", no extinto Teatro Monumental e, em 1964, participou no filme "Canção da saudade", de Henrique Campos, no qual, entre outros, participaram Victor Gomes, Florbela Queirós, Simone de Oliveira, Tony de Matos e Madalena Iglésias.
Nesse mesmo ano o seu álbum de Natal, com Manuel Fernandes, recebeu um prémio da crítica norte-americana, como noticiou a revista Plateia, em janeiro de 1965.
No auge da carreira "decidiu que a vida familiar estaria em primeiro lugar" e abandonou os palcos.
"Vários artistas têm no seu reportório poemas de Saudade dos Santos e a próxima etapa, que está de acordo com o seu amor pela arte e a cultura, será a partilha dos seus poemas com a edição de um livro", disse Armando Castela.
O velório da fadista realiza-se no domingo, a partir das 19:00, na Basílica, realizando-se o funeral e a cerimónia de cremação na segunda-feira, segundo a mesma fonte.


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