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28 de fevereiro de 2015

CIÊNCIA VIVA - O céu de março de 2015


No começo do mês é possível continuar a assistir à conjugação (uma aproximação aparente no céu) entre Marte e Vénus, este último apresentando-se durante todo o mês como estrela da tarde. Estes astros serão visitados pela Lua nos dias 21 e 22, respetivamente.

Relativamente ao nosso satélite natural, podemos acompanhar a sua deslocação da constelação do Caranguejo, donde estará junto a Júpiter na madrugada de dia 3, até constelação do Leão aquando da Lua Cheia de dia 5. Nesta última constelação destaca-se Régulo, um sistema estelar constituído por quatro estrelas.

Na noite de dia 8 a Lua irá nascer junto a Espiga, a estrela mais brilhante da constelação da Virgem. Já na madrugada de dia 12 a Lua situar-se-á ao pé de Saturno, que está na constelação do Escorpião.

Ao final da tarde de dia 13 dar-se-á quarto minguante, mas a Lua só será visível quando ela nascer pelas duas horas da madrugada do dia seguinte.

Na madrugada de dia 19 a Lua passará 5 graus a Norte de Mercúrio, que por estes dias nasce pouco antes que o Sol. Neste mesmo dia ela atinge o perigeu, i.e. o ponto da orbita lunar mais próxima da Terra. Assim ela irá parecer ligeiramente maior do que o Sol.

Pelas nove horas e meia (hora continental) de dia 20 tem lugar a Lua Nova. Por ocorrer numa altura em que a Lua está muito próxima do plano da órbita da Terra em torno do Sol, do alinhamento destes 3 astros resultará um eclipse solar.

Dada a maior proximidade da Lua ao nosso planeta, esta tapará completamente o Sol ao longo de 1 faixa a longo do mar a sul da Gronelândia até perto do Polo Norte, passado pelas ilhas Faroé e pelo arquipélago de Svalbard.


Em Portugal o eclipse será menor, com 57% do disco solar coberto na Madeira, 62% em Faro, 72% em Bragança e 74% nos Açores.

O máximo do eclipse terá lugar em instantes diferentes dependendo do ponto do país: às 7h50 em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, 8h45m no Funchal, 8h59m em Faro e 9h08m em Bragança. A duração total do eclipse, esta rondará em todos os casos cerca de duas horas (um pouco menos nas regiões autónomas e algo mais no continente), começando cerca de uma hora antes do máximo do eclipse.

Por coincidência este eclipse marca o início da primavera no nosso hemisfério, pois às 22 horas e 45 minutos a Terra atinge o ponto da sua orbita a partir do qual o hemisfério norte passa a estar mais iluminado do que o Sul, dando origem por cá a dias mais compridos do que as noites. O instante em que ambos hemisférios se encontram igualmente iluminados é conhecido no nosso país como Equinócio da primavera. Já no hemisfério Sul é conhecido por Equinócio do outono.

O quarto crescente tem lugar na madrugada de dia 27, sendo uma boa altura para se observarem crateras e montes lunares.

Finalmente, nos últimos dias do mês a Lua volta a ocupar as mesmas posições donde esteve no início do mês, passando por Júpiter no dia 30 (um dia depois de ter início a hora de Verão) e junto a Régulo no dia seguinte.

Boas observações!

Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC)


Figura 1 - Vista do céu a Sul pelas duas horas da madrugada de dia 3
Figura 2 - Eclipse solar do dia 20 de março



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