ENTREVISTA - Maurício Marques "quebra" o silêncio e reage ao comunicado do PS de Penacova - PENACOVA ACTUAL
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12 de março de 2015

ENTREVISTA - Maurício Marques "quebra" o silêncio e reage ao comunicado do PS de Penacova

Num comunicado tornado público pelos líderes da Concelhia e da bancada Municipal do PS/Penacova, Ricardo Simões e Pedro Dinis acusam o deputado e ex-candidato ao Município pelo PSD de não ter apresentado uma justificação que suporte a suspensão do mandato.

Em exclusivo para A CO­MARCA DE ARGANIL, Mau­rício Marques* garante que na base do pedido estão “motivos pessoais” (…) «e as questões pessoais não têm que ser justi­ficadas». Por outro lado acusa a estrutura política de se de­dicar a “fait-divers” para “ilu­dir” os penacovenses.

A COMARCA DE ARGA­NIL (CA): Que comentários faz às acusações dos líderes socia­listas de Penacova?

MAURÍCIO MARQUES (MM): Como o comunicado diz, eu fui por duas vezes candida­to à Assembleia Municipal, e não fui eleito porque os cida­dãos de Penacova assim não o entenderam.

Portanto, não me sentia na obrigação de, mesmo assim, assumir o cargo. Mas, de qual­quer modo tenho que dizer o seguinte: o comunicado do Partido Socialista revela bem a postura a que foi dotado o concelho de Pe­nacova, ou seja, de pro­funda picardia e arro­gância política, que é ma­nifesta até no desenrolar das próprias assembleias municipais.

A Comarca de Arganil já as­sistiu a que, em plenas assem­bleias municipais, quem não comunga com as linhas orien­tadoras do Partido Socialista, é agredido quer oralmente, quer fisicamente.

Como deve calcular, eu con­vivo mal com este clima. Eu fui presidente de Câmara (Pe­nacova) durante alguns anos, e sempre pratiquei a tolerância democrática. Eu não hostiliza­va. Eu respeitava a oposição… coisa que neste momento o Partido Socialista não faz.

Eu gostaria que o Partido Socialista se dei­xasse destes “fait-divers”, e se dedi­casse àqui­lo que é impor­tante, e verificasse e tentasse mostrar aos cidadãos de Penacova aquilo que de mal vai no concelho. Que ex­plicasse porque é que tudo em Penacova está a fechar, que explicasse porque é que em Lorvão uma escola – que deveria ser aberta e não é – más condições. Deveria expli­car aos penacovenses por que é que – desde que eu saí (da presidência da Câmara) – não tem sido feito mais nada no que toca ao saneamento. Por­que é que as populações con­tinuam sem as infra-estruturas necessárias.

Com isso é que o Partido Socialista se devia importar, e devia explicar porque é que isso está a acontecer.

A minha humildade demo­crática, que é falada, é pra­ticada. Ao longo de todo este tempo, não me viram andar a criticar publicamente o exer­cício do mandato do Partido Socialista. Por isso verifico que o PS não aceita este meu silêncio.

Obviamente que, a par­tir de agora, vou quebrar o silêncio e vou começar a denunciar publicamente aquilo que de mal se fez e está a fazer no concelho de Penacova.

O Partido Socialista tem-se importado em gerir a sua agenda política atra­vés de feiras e roma­rias, que não con­tribuem em nada para o progresso e desenvolvimento do concelho.

Há bandeiras que foram anun­ciadas pelo PS e que efectivamente foram esquecidas. Por isso vamos lembrá-los e eu vou estar – como sempre estive – ao lado da população do meu conce­lho.

Continuo a ter o mesmo nú­mero de telemóvel que sem­pre usei, e continuo a estar à disposição de todas as pes­soas, de todas as colectivida­des e de todas as entidades para ajudar a resolver os seus problemas e, sobretudo, estar ao seu lado.

O Partido Socialista, de fac­to, não entende isso. Eu res­peito, mas não aplaudo estas atitudes perseguidoras do PS.

CA: Mas porque é que não justificou, como vinca o co­municado, a suspensão do seu mandato?

MM: Eu pedi a suspensão do mandato por questões pes­soais. E as questões pessoais não têm que ser justificadas.

Mas adianto que a activida­de política que eu desenvol­vo, efectivamente, muitas das vezes não é compatível com a realização das sessões das assembleias municipais, mas não posso deixar de dizer que o clima que actualmente se vive nas assembleias munici­pais não é condizente com a minha forma de ser e de estar na política.

Eu nunca agredi verbal­mente nem fisicamente quem quer que seja, dos meus oposi­tores… coisa que não acontece com o PS. O Partido Socialis­ta actualmente agride quer verbalmente quer fisicamente aqueles que não comungam com as suas ideias. Mesmo en­tre eles, internamente, aque­les que não comungam, são afastados… eu nunca fui as­sim… sempre fui tolerante e continuo a sê-lo. Não posso é pactuar com este tipo de ati­tudes.

CA: Apesar de tudo, os pe­nacovenses podem continuar a contar consigo?

MM: Os penacovenses sem­pre contaram comigo, e podem continuar a contar. E a partir de agora mais ainda, porque são estas coisas que me moti­vam e obrigam a estar ao lado daqueles que hoje são perse­guidos em Penacova, coisa que eu nunca fiz.

Eu vou estar cada vez mais atento – porque o Partido So­cialista assim quer – à gestão que o PS está a fazer, e mui­tas das vezes de forma delibe­radamente hostil para todos aqueles que não lhe são afec­tos, perseguindo-os inclusivamente.

Texto e foto de Paulo Mattos Afonso


Maurício Teixeira Marques é Deputado do PSD na Assembleia da República, eleito pelo Círculo de Coimbra em 2011

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