IMPRENSA LOCAL - Recordando Joaquim de Oliveira Marques - PENACOVA ACTUAL

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29 de março de 2015

IMPRENSA LOCAL - Recordando Joaquim de Oliveira Marques


Escrevíamos há dias, noutro local,  que o primeiro número do jornal Notícias de Penacova tem a data de 26 de Março de 1932.
Um mês antes de completar 58 anos de publicação, vê morrer um dos seus principais colaboradores e directores: Joaquim de Oliveira Marques. Além da dedicação durante muitos anos ao jornal, foi Professor Primário e Delegado Escolar do concelho de Penacova, ocupando este último cargo durante cerca de 25 anos.
Dizia-nos há dias José Bernardes Oliveira, presidente da Casa do Concelho de Penacova em Lisboa: ”De 1962 a 1974 fui o seu cobrador [falávamos do NP] em Lisboa. Por solicitação do prof. Joaquim de Oliveira Marques era eu que recebia as assinaturas dos assinantes residentes em Lisboa e nos arredores! Que saudade!”.
Por altura da sua morte em 1976, no jornal que abandonara dois anos antes, alguém escreveu no artigo “Retalhos de Uma Vida” que J. Oliveira Marques fora “alguém cujo nome surgirá na mente de quem o conheceu, sem dúvidas nem medo de engano, e que não se apagará enquanto pulsar o coração de um amigo.”
Foi uma daquelas Vidas “que se gastam, não em exclusivo proveito de si mesmas, mas, antes, são chama que irradia luz à sua volta e se gasta, sem cessar, dando-se até à entrega total”. Fora, ainda “um cristão que não se envergonhava de o ser, vivendo coerente com a sua Fé”- salientava também aquela  “Crónica Breve”, assinada por “Malema”.
Como dissemos, foi responsável pelo jornal durante muitos anos. Despediu-se dos seus leitores em 13 de Julho de 1974, começando por escrever que “ seria ingratidão que ao cabo de 42 anos de contacto com o povo do concelho de Penacova por intermédio do seu jornal”  que procurara “servir desinteressadamente”, e com “grande sacrifício” , se afastasse “sem uma palavra de agradecimento pela forma amiga e colaborante” que recebera naquele longo percurso.
Não deixa também de justificar a sua saída. “ Porque saio?” – pergunta. “Porque a vontade, no máximo de 2% da população do concelho, reunida na manifestação democrática do 1º de Maio, no salão dos Paços do Concelho, elegeu novos elementos para gerir os destinos do concelho”. E explica melhor: “Estas autoridades eleitas, pouco depois de ter aparecido o jornal de 3 de Maio, em que se dava conta do Movimento do 25 de Abril e onde se defendia a doutrinação da J.S.N. [Junta de Salvação Nacional] , impuseram à Comissão Fabriqueira da Igreja de Penacova a minha saída!”. E é com grande mágoa, certamente, que conclui: ” Procurei sempre que o jornal servisse o povo. Saio, pois, com a consciência tranquila”.
Em Maio de 1976, por ocasião do seu falecimento, o Notícias de Penacova, dirigido agora pelo Padre Alves Maduro dirá de Joaquim de Oliveira Marques que “um dia, já doente e sem forças, fraquejou e entregou, com as lágrimas nos olhos, a sua pasta de escritor.”
A missa de corpo presente foi concelebrada por sete sacerdotes, um dos quais fora seu aluno: o Padre Arménio Marques, na altura pároco de Figueira de Lorvão e dali natural.
Deixou viúva, Cândida dos Santos Madeira, também ela professora aposentada. Era pai das professoras Maria da Piedade Madeira Marques e Maria Helena Madeira Marques Azougado da Mata.
Naquele dia 27 de Fevereiro de 1976, durante o Cortejo Fúnebre, abateu-se sobre Figueira de Lorvão uma forte chuvada. Conta o jornal que alguém terá exclamado:” Esta chuva não era esperada. Isto são lágrimas do Céu em homenagem a este homem bom da nossa terra”.

David Almeida

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Fotografia publicada no NP de 12/3/1976