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17 de março de 2015

KARATÉ - 1.º Open de Penacova já é um sucesso antes de começar

Prova superou todas as expectativas da organização e vai trazer a Penacova, no próximo sábado, 271 atletas de todo o país


O Pavilhão Aniceto Simões recebe, no próximo sábado, o 1.º Open de Karaté, que vai juntar quase três centenas de atletas.

Em prova estarão caratecas de todos os estilos, uma estreia em organizações da Associação Shukokai, pelo que, também aqui, Penacova está na linha da frente.

“Tínhamos apontado para cerca de 150 atleta, mas conseguimos 271, de 44 clubes, portanto superou todas as expectativas”, diz Carlos Marques, dirigente e mestre do Clube Karate Penacova. Vêm caratecas “de Braga a Sagres, e também da madeira”, desde o escalão de juvenis até aos seniores, mas a vontade de organização é, “no futuro, evoluir para um formato de fim de semana completo, com todos os escalões”.

Quem não vai estar em Penacova são “os 12 atletas da selecção nacional”, já que a organização “teve de antecipar o evento para o próximo sábado, ao contrário da vontade inicial, que era para o último fim de semana do mês”. E no próximo fim de semana há “o Campeonato da Europa da FNKP [Federação Nacional de Karaté Portugal]”, pelo que há muitos que não vão poder estar. Ainda assim, a adesão acima do esperado levou a que “tivéssemos de ajustar de dois para três os tapetes de competição, para cumprir os horários previstos”.

Multi-estilos


O Clube Karate Penacova pertence à Associação Portuguesa de Karaté Shukokai, um dos muitos estilos de karaté representados em Portugal. Mas esta prova não se cinge ao estilo a que os atletas de Penacova estão habituados. Mas “o karaté desportivo é igual em qualquer estilo, o que varia são as posições básicas, as katas, que não vão estar em prova”,diz Carlos Marques.

O mestre diz que “a tendência tem de ser a uniformização”, até porque, “no fim de contas, só pode haver um campeão nacional, o da FNKP”. Federação que “tem sido bastante taxativa na vontade de uniformização”. Afinal, “antes havia um campeão nacional de shukokai, outro de shotokan, etc.”, o que “retirava ao karaté credibilidade perante outras artes marciais”. E o karaté está apostado em “entrar para as modalidades olímpicas”, pelo que “tem de passar por este processo de uniformização como passou, por exemplo, o judo, há uns anos atrás”.

Programa envolvente



O 1.º Open Karate Penacova não se esgota dentro dos tapetes. Há um programa envolvente, com visitas guiadas à vila, caminhadas e também animação garantida para os mais novos, com insufláveis junto ao pavilhão. Um bom programa para os visitantes e também para os locais, “numa semana em que se comemora o início da primavera e o Dia do Pai”. Para além disso, “estamos também em plena época da lampreia, o que é sempre um atrativo”, acrescenta Carlos Marques.

A organização acredita que o facto de realizar um grande evento em Penacova “é importante”. “Temos vários atletas que ainda não vão entrar na competição, porque o nível é elevado”, mas vão certamente poder aprender com o que vão ver. Ainda assim, acredita Carlos Marques, “o facto de termos uma prova em casa permite a mais jovens entrar em competição. Há dois que vão competir, pela primeira vez, numa prova inter-estilos, o que é bom para ganhar experiência”, acrescenta.

O sucesso parece garantido, pelo que, “com toda a certeza, em 2016 haverá o 2.º Open Karate Penacova”. “Penso que os apoios se manterão e acredito que este poderá ser o primeiro de muitos, já que é a primeira prova organizada no sido da minha associação [shukokai] para interestilos e a tendência é para crescer. Ainda há pouco estivemos numa prova no Porto, o NPK, que vai na 23.ª edição, e lá estiveram 800 atletas”, diz o dirigente.


A história do karaté em Penacova remonta a 1994.


“Na altura, surgiu pela mão dos mestres Filipe Fernandes e Ema Lopes, que continuam a treinar em Coimbra, no Sport Conimbricense”, explica Carlos Marques.
Os dois treinadores, “por motivos profissionais”, foram obrigados a sair “e tiveram de encontrar uma solução. Convidaram-me a ficar com os treinos, como um dos atletas mais graduados e eu aceitei”. Foi assim que Carlos Marques deixou de ser apenas um carateca para passar a ser um mestre.

De 2003 em diante, “o clube passou por um processo de formalização, que trouxe outra dinâmica”. Começaram “os apoios da autarquia, que não haviam até então e foi um salto considerável”, acrescenta o mestre.

Com algumas oscilações de número, hoje há “mais de três dezenas de caratecas em Penacova”. Já foram mais, “mas esta não é uma modalidade que desperte a atenção de toda a gente. É preciso gostar”, esclarece o responsável.

No entanto, “eventos como este Open, permitem ver a vertente mais desportiva e competitiva, que os miúdos mais gostam”. Portanto, Carlos Marques acredita que “ é uma forma de poder captar mais atletas”.

Em eventos anteriores, “apenas no seio da nossa associação [shukokai], tivemos bastante gente”, portanto, desde o início que se antevia o sucesso. “Quando lançámos
a ideia, a autarquia disponibilizou-se logo a apoiar e conseguimos alguns patrocínios”,
diz Carlos Marques.

Um mestre campeão

Carlos Marques forma campeões, mas foi, também ele, um dos melhores da modalidade no país. Foi, entre muitos títulos, duas vezes campeão mundial de karaté shukokai em kumite equipas sénior e 3.º classificado individual no Campeonato do Mundo de Karate Shukokai Kumite (-90kg), em 2006 e 2008 

Texto de Bruno Gonçalves e foto de Carlos Jorge Monteiro