CIÊNCIA VIVA - Os 25 Anos do Telescópio Espacial Hubble - PENACOVA ACTUAL
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24 de abril de 2015

CIÊNCIA VIVA - Os 25 Anos do Telescópio Espacial Hubble


Uma imagem do enxame de estrelas Westerlund 2, situado na maternidade estelar designada por Gum 29, a 20 mil anos-luz na direcção da constelação austral de Carina (Quilha), comemora os 25 anos de valorosos serviços prestados pelo Telescópio Espacial Hubble. Westerlund 2 e Gum 29 são difíceis de observar pois estão parcialmente encobertos por nuvens de poeira interestelar situadas na linha de visão com a Terra. No entanto, a câmara WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble conseguiu resolver o enxame numa miríade de estrelas ocupando um volume com apenas 10 anos-luz de diâmetro. Com uma idade estimada de apenas 1 ou 2 milhões de anos, as cerca de 3 mil estrelas do Westerlund 2 são muito jovens; algumas delas ainda não atingiram a sequência principal, a primeira fase na vida de uma estrela em que produz energia transformando hidrogénio em hélio no seu núcleo , e são visíveis na imagem como uma nuvem de pequenos pontos vermelhos em torno das estrelas mais brilhantes do enxame.

Algumas das estrelas de Westerlund 2 estão entre as mais maciças e luminosas conhecidas e emitem quantidades copiosas de raios ultravioletas. Esta radiação ioniza e erode gradualmente a nebulosa circundante, criando uma cavidade e pilares negros com formas bizarras, visíveis sobrepostos à nebulosa. Westerlund 2 tem ainda a particularidade de conter um dos sistemas binários mais maciços conhecidos em que as massas individuais das estrelas são conhecidas com exactidão — dois colossos estelares, cada um com cerca de 80 massas solares e mais de 1 milhão de vezes a luminosidade solar.


De facto, é no dia 24 de Abril que o Telescópio Espacial Hubble, um projecto conjunto da NASA e da ESA, comemora 25 anos de serviço em órbita da Terra. O projecto teve as suas raízes nos anos 70 do século XX, quando as duas agências iniciaram o desenvolvimento de um telescópio espacial que observaria o Universo primariamente na região do espectro visível. A opção pelo espaço eliminaria as limitações sérias impostas pela atmosfera terrestre à performance dos telescópios.

Após anos de pesquisa, desenvolvimento e vários contratempos, o telescópio, um Ritchey-Chrétien com um espelho primário de 2.4 metros, foi finalmente colocado em órbita em 24 de Abril de 1990. Nessa altura, o custo do projecto atingia já os 2,5 mil milhões de dólares. Pouco tempo depois, tornou-se evidente que o espelho primário do telescópio apesar de extremamente preciso, tinha sido produzido com a curvatura errada. Uma missão subsequente com o vaivém espacial Endeavour instalou um corrector óptico que resolveu o problema e permitiu ao Hubble funcionar no máximo das suas capacidades.

Desde então, o telescópio tornou-se um dos instrumentos mais produtivos ao dispor da comunidade científica, dando origem a mais de 10 mil artigos científicos publicados em revistas com revisão por pares. O impacto destes artigos no progresso científico pode ser aferido pelo facto de, anualmente, 10% dos artigos mais citados (uma medida da sua qualidade) serem baseados em dados obtidos com o Hubble. E depois há, é claro, a enorme colecção de imagens adquiridas pelo telescópio ao longo deste quarto de século em órbita. Imagens que permitem fazer ciência mas também, tão importante, inspirar várias gerações de futuros cientistas.

Foi precisamente nesse espírito que a NASA e ESA resolveram fazer algo de especial para as comemorações dos 25 anos em órbita do Hubble, uma imagem marcante, inesquecível, que demonstrasse as capacidades soberbas do telescópio. A imagem, mantida em segredo durante semanas, foi publicada no dia 23 de Abril, ou seja um dia antes do 25º aniversário.


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