INFANTICIDIO - População de Laborins chocada com morte brutal de bebé - PENACOVA ACTUAL
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10 de abril de 2015

INFANTICIDIO - População de Laborins chocada com morte brutal de bebé

Companheira do homicida raramente visitava Laborins, onde até a avó do bebé assassinado foi apanhada de surpresa. João Barata nasceu em Coimbra e chegou a viver na Lousã.


Surpresa e choque. Ontem à tarde eram estes os sentimentos dominantes na pacata localidade de Laborins, no concelho de Penacova. Quase todos sabiam do trágico episódio do pai que matou o filho bebé de cinco meses com uma facada no coração, em Linda-a-Velha. O que não imaginavam é que o menino fosse filho de Lúcia Ferreira, natural lá da terra.

 «A gente não sabe nada da vida dela», conta o tio Renato Martins, «transtornado» com o caso. A notícia apanhou de surpresa a própria avó do pequeno Henrique, que, aliás, desconhecia a existência do menino. Maria Rosa Ferreira, de 61 anos, andava no campo quando a foram chamar para contar o sucedido. A vida afastou mãe e filha e a última vez que se viram foi no Carnaval de 2014, já Lúcia estava no início da gravidez, embora não tivesse contado nada a ninguém de Laborins. Por altura da Páscoa, falaram ao telefone, mas sem qualquer referência à vida de Lúcia em Linda-a-Velha.

Ao ver a fotografia de João Barata nos jornais, Maria Rosa recorda que o chegou a ver uma vez em Coimbra. Na altura, conta, a filha apresentou-o como namorado, mas confidenciou à mãe que o ia deixar, porque ele teria «problemas de álcool». Quando Lúcia foi para a Linda-a-Velha, Maria Rosa pensou que «nunca mais» houvesse qualquer tipo de contacto entre os dois.

Ao que foi possível apurar, Lúcia Ferreira viveu durante um período em Viseu, quando manteve um relacionamento amoroso com o pai da filha, uma adolescente que terá à volta de 14 anos e que viveria, actualmente, com a mãe, o homicida confesso e o bebé, mas passaria temporadas com a família do pai, em Viseu.

Vítima de violência doméstica, Lúcia mudou-se para Coimbra, há cerca de três anos, ao abrigo de um programa de protecção da Caritas Diocesana, tendo chegado a trabalhar no Jardim-de-infância de Almedina.

Aliás, também na instituição, colegas que privaram com Lúcia em contexto de trabalho deixaram de ter contacto desde que ela foi para a zona da Lisboa, onde também reside a irmã.

Foi em Coimbra que a mãe do pequeno Henrique conheceu João Pedro Barata. Natural de Coimbra, estudou na zona de Celas e mais tarde na Escola Secundária D. Duarte.

Pessoas amigas da mãe de João Barata, que trabalhou muitos anos na zona de Celas, admitiram que desde a adolescência era uma criança bastante problemática.

Trabalhou na área da construção civil e durante um período, esteve a prestar serviço comunitário na antiga Junta de Freguesia de Vilarinho, na Lousã, por ter sido apanhado a conduzir com álcool.

À época, o homicida residia com uma companheira de quem teve dois filhos e de quem se terá separado, também por alegados episódios de violência doméstica.

O Diário de Coimbra falou com uma funcionária que trabalhou directamente com João Barata e que não queria acreditar quando soube da notícia. «Não tenho nada a apontar, era uma pessoa que tinha bom entendimento com todo o pessoal», frisou, confirmando que o indivíduo já tinha passado por um processo de desintoxicação. «Falámos há cerca de um ano e ele disse-me que tinha recomposto a vida», continuou. Actualmente desempregado, João Pedro Barata ficava com o bebé enquanto a mãe ia trabalhar. Na quarta-feira, terá realizado vá- rias chamadas para a mulher, dizendo mesmo que ia matar o bebé e depois a matava a ela. Tudo porque, ao que tudo indica, Lúcia Ferreira terá manifestado intenção de se separar, uma decisão que o companheiro não aceitou.

Texto e foto de Patrícia Isabel Silva