ENSINO - Sessenta plágios em cinco anos na UC



A Universidade de Coimbra (UC) detetou 60 casos de plágios entre os seus estudantes, nos últimos cinco anos, mas os crimes nunca foram comunicados à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público, revelou o semanário Sol na sua edição de ontem. Contudo, todos estes casos, de acordo com fonte da instituição universitária, foram objeto de processo disciplinar.

Entre as situações identificadas está uma tese de doutoramento e seis dissertações de mestrado. Os restantes casos – 53 trabalhos académicos –, dizem respeito a “cópias de parte ou da totalidade de trabalhos de outros autores”, indica fonte da UC citada pelo jornal.

De acordo com fonte da instituição, nove casos detetados foram arquivados. Em relação às situações que em que se provou haver, de facto, plágio, 59 dos autores sofreram penalizações leves. Um dos estudantes, tendo em conta a gravidade da atuação, foi suspenso durante um ano.

Refira-se que este é um assunto que merece especial preocupação por parte da UC: todas as situações sinalizadas como plágio têm sido objeto de análise disciplinar, sendo que, no Senado da Universidade e nos conselhos pedagógicos das unidades orgânicas, “este assunto é também objeto de discussão e reflexão”.

“Copianços” nos exames

Num estudo realizado pelo CES/FEUC, apresentado há precisamente um ano, cerca de 70% dos alunos do ensino superior admitiam copiar, nos exames e frequências, por materiais não autorizados, sendo que tal acontecia com regularidade em 30% das situa- ções. Por outro lado, mais de metade dos inquiridos admitia fazer copy/paste de conteúdos da Internet para apresentar aos professores.

Não admitindo serem os próprios a cometer este tipo de “fraudes académicas”, 98% dos alunos garantia não denunciar os colegas. A investigação decorreu durante três anos, com um inquérito distribuído a mais de sete mil alunos das oito faculdades da Universidade de Coimbra.

Além dos plágios, as universidades debatem-se, atualmente, com outro problema: a compra e venda de trabalhos académicos ou de teses de mestrado e doutoramento.

O comércio de teses, em que o aluno encomenda a investigação a terceiros – reduzido contributo pessoal para o resultado final entregue na universidade – tornou-se um negócio nos últimos anos.


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