OPINIÃO - O fim do projeto "Escolíadas" - PENACOVA ACTUAL
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26 de maio de 2015

OPINIÃO - O fim do projeto "Escolíadas"

Foi no ano de 1998, que Penacova, foi a primeira vez às Escolíadas, na altura, estava na associação de estudantes da Secundária, o meu primeiro ano de quatro e recebemos por correio, o convite para participar, mas pareceu-me muito difícil e muito trabalho, mandámos o panfleto para o lixo. Passado um dia ou dois a Presidente do executivo, chamou-me ao gabinete, era na altura a Professora Ana Clara, disse-me, qualquer coisa, como isto “Gonçalo, vamos participar neste evento, trate disso” e foi assim, que começou a aventura de Penacova nas Escolíadas, fomos 11 anos, desses participei em 10, atingimos várias finais, chegamos a perdê-las por um único ponto. A Câmara ajudava bastante e enchíamos os 3 pinheiros, levávamos as nossas provas de Claque, Teatro, Pintura e Música…

As Escolíadas continuaram a crescer e tornaram-se numa máquina grande, criou-se mais um polo, neste momento eram 3 (Aveiro; Coimbra e Viseu), mas tudo o que é bom se acaba e neste momento está terminada essa fase, 25 anos depois, vai acabar!

Deixo alguma informação, disponibilizada pela Associação Escolíadas:

Escolíadas terminam em 2015 por falta de apoio financeiro.

A todos os Escoliásticos, escolas, entidades

Em 2015 as Escolíadas comemoram 25 anos. Foi em 1990 que alguns jovens alunos e professores de 6 escolas arriscaram pisar, pela primeira vez, o palco das Escolíadas.

O projeto em pouco se assemelha àquilo que hoje são as Escolíadas Glicínias Plaza.

As Escolíadas cresceram muito. De ano para ano acontecia a mudança. Em 1997 conseguiram o reconhecimento do estado, recebendo a Declaração de Manifeste Interesse Cultural do Ministério da Cultura, e abriram-se as portas para os apoios do Instituto Português do Desporto e Juventude.

Em 2008, já em salas de espetáculo, com escolas de três distritos da Região Centro e com uma média de 3000 jovens participantes por ano, a Associação Escolíadas – criada para suportar o evento e expandir as outras atividades que iam surgindo – viu-se sem meios para garantir a continuidade do evento.

Dificuldades ultrapassadas, e eis que em 2014 conseguimos alargar o concurso a 3 polos e recebemos a distinção de “Iniciativa de Elevado Potencial de Empreendedorismo Social”.
Vamos para 2015 com o nosso record de escolas participantes – 28 escolas de 16 concelhos de 3 distritos da região centro, três polos, cinco salas de espetáculo, 14 dias de espetáculo com mais de 300 jovens em palco/dia.

Hoje somos obrigados a comunicar-vos que não podemos continuar com este projeto.

Saímos de 2014 com 2.500 € de prejuízo e avançámos para 2015 com a perspetiva de acumularmos mais 3.000 € de prejuízo.

Procurámos e procuramos em todas as direções algum tipo de apoio. Não conseguimos chegar a mais nenhum sítio.

Em Janeiro deste ano comunicamos com todas as entidades governamentais que julgamos terem responsabilidades na educação e formação dos jovens pedindo-lhes apoio, informando de forma clara que caso não conseguíssemos encontrar mais financiamento as Escolíadas iriam terminar porque não podíamos continuar a acumular dívidas. Pedimos-lhe que nos abrissem portas a apoios financeiros, não necessariamente públicos, mas que pelo menos fizessem a ponte entre o projeto Escolíadas e empresas/fundações/parceiros eventuais interessados no projeto. Até hoje não conseguimos absolutamente nada.

Não somos subsídio-dependentes, nem pretendemos sê-lo. Conseguimos produzir um evento há anos recebendo do estado verbas que nunca chegaram a representar 10% do orçamento.

 Em 2014 e 2015 a única entidade governamental que nos apoia financeiramente é o Instituto Português do Desporto e Juventude com uma verba que representa 7% do custo do evento, sendo que em 2015 foi-nos atribuída uma verba inferior a 2014. Estamos a falar em cerca de 4200€ para um projeto que custa 76000€.

Não entendemos como todas as entidades governamentais contactadas não investem e deixam acabar um projeto destes, mas essa é a nossa realidade. E, se este projeto não faz sentido para o Estado então não temos como continuar com ele.

Nesta altura do ano teríamos já calendário para 2016 fechado, salas agendadas e atividades e orçamentos previstos. Este ano não temos nada. E por isso esta informação segue agora. Estivemos até ao último momento à espera de uma resposta positiva que não houve.

Só nos resta agradecer-vos – jovens, escolas, autarquias, parceiros por todo o apoio e por tanto que nos têm dado. Nada é mais gratificante do que vermos nos jovens e nas zonas onde atuamos a mudança, a transformação, a procura por oferta artística e cultural, o risco corrido em pisar palcos e querer saber e estudar mais, a criação de novas associações, companhias, bandas, escolas artísticas. Sentimos que da nossa parte a missão foi cumprida.

Este projeto nunca foi apenas da Associação. Este projeto foi e é de todos e para todos.

A todos, muito obrigado por 25 anos gratificantes.

Entidades contactadas: Secretaria de Estado da Cultura, Gabinete do Sr. Ministro da Educação, Direção-Geral das Artes, Direção-Geral da Educação, Direção-Geral dos Estabelecimentos de Ensino e Instituto Português do Desporto e Juventude.


Quem quiser ajudar, pode assinar uma petição online, que foi criada pelas 28 Escolas…
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77255

Gonçalo Barata

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