FERIADO MUNICIPAL - Requalificação do Lorvão é a grande prioridade e desafio - PENACOVA ACTUAL

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18 de julho de 2015

FERIADO MUNICIPAL - Requalificação do Lorvão é a grande prioridade e desafio



«Colocar Lorvão como local principal de visitação da região centro» é o próximo grande desafio do presidente da Câmara de Penacova. Humberto Oliveira deixou, ontem, a promessa, de “palavra de honra”, na sessão solene comemorativa do Dia do Município, data que evoca o nascimento de António José de Almeida, há 149 anos. «Dificuldades há muitas», assumiu o autarca de Penacova, que citou John Kennedy - “A dificuldade é uma desculpa que a história nunca aceita” - para sublinhar o seu empenho neste desafio.

Hoje, Lorvão já é um espaço de visitação de excelência, considerou, apontando como exemplo a igreja, o órgão, cadeiral, a cerca. «Mas temos um longo caminho a percorrer na divulgação deste património. O potencial é enorme e o trabalho ainda está no início», afirmou o edil, salientando o projecto de musealização, de aproveitamento do espaço publico, de requalificação do edificado. Um projecto relativamente ao qual a Câmara conta com a colaboração de um um grande número de entidades, pois «todos podemos contribuir».

De acordo com o autarca, há «600 mil euros disponíveis» por parte da Direcção Regional da Cultura. Todavia, a «regeneração do espaço público é da responsabilidade da Câmara», disse, deixando um desafio a Ana Abrunhosa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), no sentido de «alargar a Política de Cidades a espaços urbanos, como o Lorvão».

Antes de falar sobre o projecto de requalificação de Lorvão que, no entender de Humberto Oliveira, depois de estar no terreno, irá “arrastar” a intervenção de privados, o edil centrou-se na educação, “inspirado” pela inauguração do Centro Escolar, uma obra “exemplar”, em funcionamento desde a Páscoa, com 50 alunos.«A educação é a prioridade da gestão municipal», afiançou, sublinhando que nas Grandes Opções do Plano de 2014 este sector só era ultrapassado pelas vias de comunicação e, em 2015, «certamente será a que terá maior nível de execução».

Humberto Oliveira elencou as obras de construção e requalificação que, desde 2010, o executivo efectuou, em Penacova, Lorvão, Aveleira, Espinheira, o apoio ao transporte de alunos, a oferta de livros e manuais escolares, o funcionamento dos estabelecimentos de ensino das 7h30 às 19h00 (que custa ao município 150 mil euros/ano), prémios de mérito e bolsas de estudo. Uma palavra para a Escola de Artes, a funcionar desde Setembro, «com mais de 100 crianças», que aposta na formação musical e também nas artes teatrais.

Apesar deste diagnóstico positivo, o autarca entende que «temos a obrigação de ser mais interventivos» e a intervenção prioritária a fazer «é na EB1 de Figueira de Lorvão e sedimentar a Escola de Artes». Também aqui Humberto Oliveira apelou às “boas graças” de Ana Abrunhosa, tendo em conta que o actual quadro comunitário não contempla fundos para este tipo de infra-estruturas.

O presidente fez ainda um balanço das obras efectuadas com o apoio do FEDER que, além das escolas, incluíram a biblioteca, a requalificação urbana da sede do concelho, campos sintéticos, parque de estacionamento, zonas industriais, que representam disse ,«sete milhões e 500 mil euros». De fora, lamentou, ficou a requalificação do antigo Tribunal. «Temos de reforçar as verbas para as infra-estruturas escolares», defendeu, admitindo a necessidade de «procurar noutras tipologias de programas, outras formas de financiamento», tendo em mente a intervenção, necessária, a efectuar na EB1 de Figueira de Lorvão.

Ana Abrunhosa tranquiliza



A responsável da CCDRC “tranquilizou” o autarca, que elogiou amplamente, afirmando que a «regeneração urbana é uma prioridade do POR», com «pouco mais de 300 milhões de euros», e cujos projectos não passam pelas comunidades intermunicipais, mas são «tratados directamente pelos municípios». Ana Abrunhosa adiantou que há possibilidade de abertura do programa Política de Cidades «à requalificação urbana fora das sedes de concelho, desde que sejam zonas históricas, ribeirinhas ou muito degradadas». Disse ainda que a reunião solicitada por Humberto Oliveira para tratar desta “questão Lorvão” será marcada a breve trecho.

Relativamente aos apoios para infra-estruturas escolares, Ana Abrunhosa reconheceu a insuficiência de verbas, esclarecendo que a União Europeia entendeu que «já tínhamos investido muito nesta área». As negociações permitiram obter uma verba de 350 milhões, “bolo” do qual coube uma “fatia” de 95 milhões aos 100 municípios da Região Centro. A presidente da CCDRC reconheceu que, num primeiro levantamento, «a dotação corresponde a 12% das necessidades identificadas». «Não nos vamos contentar com estes valores», prometeu, sublinhando que «são áreas essenciais». Por isso deixou a receita: «temos de investir muito bem estes valores para ,depois, junto da Comissão Europeia, conseguirmos aumentar essas verbas. A CCDRC conta com o apoio dos municípios nesta luta», rematou Ana Abrunhosa.

Homenagem a dois funcionários



No Dia do Município, Penacova evocou António José de Almeida, o Presidente da República, o deputado, o médico, o reformador, o democrata e defensor dos mais fracos, um dos paladinos da gratuitidade e obrigatoriedade do ensino primário, impulsionador das bolsas universitárias a estudantes pobres, mas também da protecção dos trabalhadores no período da maternidade e da regulação do descanso semanal.

Uma evocação de memórias, consubstanciada na deposição de uma coroa de flores no busto de António José de Almeida, em Penacova. Já em Lorvão, foi o momento de homenagear o mérito, com a distinção de dois funcionários exemplares, que cumpriram 25 anos de serviço.

Zulmira Antunes não pôde estar presente, mas o presidente fez questão de sublinhar o seu papel em termos de Acção Social. «Hoje temos uma equipa. Há 25 anos era só uma pessoa», disse.

António Ventura foi o outro homenageado. Por sinal o nome não “corresponde”, pois no BI reza António Manuel Correia de Almeida. Mas foi a António Ventura – como sempre lhe chamou – que Humberto Oliveira deu um forte abraço de amizade e reconhecimento. «É pau para toda a obra», disse, sublinhando que «é um dos poucos homens do concelho que consegue fazer barcas serranas». Mas o mérito de “António Ventura” vai mais longe. «Ainda recentemente recebeu um prémio na gala do desporto, hoje recebe este, e se amanhã fizermos uma gala da cultura, também recebe um prémio», disse o autarca.

Texto de Manuela Ventura