JUSTIÇA - Homicidas de Foz de Arouce vão ser julgados no Tribunal da Lousã

Elevado número de testemunhas residentes na Lousã determinou a decisão de realizar o julgamento colectivo na Lousã, ao contrário do habitual nestes casos.


O julgamento dos arguidos envolvidos na morte de um casal de ourives, ocorrido há um ano em Foz de Arouce, vai decorrer no Tribunal Judicial da Lousã no início de Outubro, soube ontem o nosso Jornal.

A regra, desde que foi implementada a reforma judiciária, é que os julgamentos com tribunal colectivo sejam realizados na sede da Comarca, ou seja, no Palácio da Justiça de Coimbra, mas, excepcionalmente, atendendo, neste caso, à existência de um grande número de testemunhas residentes na Lousã, foi tomada a opção de realizar as audiências no Tribunal Judicial da Lousã.

Aliás, esta regra vai ser também aplicada, com a realização do julgamento em Soure, no processo em vai ser julgado um homem de 49 anos que matou a mulher e uma filha à facada, no passado mês de Outubro.

Como já é público, neste caso de Foz de Arouce trata-se de cinco arguidos, dois dos quais, de 32 e 23 anos, residentes no concelho de Penacova (Ribela e Riba de Baixo), acusados, entre outros crimes, de homicídio qualificado do casal Francisco Neto (Chico Ourives) e Maria Amélia Pedroso de Lima, mortos com contornos de grande violência.

São também acusadas duas jovens, que seriam namoradas dos primeiros, uma de 23 anos, residente na Cheira (Penacova), e a outra, de 25, de Olho Marinho (Vila Nova de Poiares), que, pelo facto de frequentar feiras na região, conhecia a vítima e sabia que era possuidora de valores em ouro.

Aliás, segundo o Ministério Público, terão sido as duas raparigas a fazer o trabalho de vigilância à residência do casal, já depois de realizado um assalto, “com sucesso” à casa desabitada do falecido pai de “Chico Ourives”, de onde foi subtraído bastante ouro e uma pistola 6,35 mm.

Essa arma seria usada, no dia 25 de Junho de 2014, por volta das 6h00, para alvejar Francisco Neto na nuca, o que não foi suficiente para o matar, objectivo que os dois homens terão concretizado com pancada de uma moca de madeira que nunca seria encontrada.

A mulher, ao tentar saber o motivo do barulho, acabaria por também ser morta de forma violenta. Primeiro foi asfixiada, com um fio eléctrico e depois com um fio de nylon, mas seria também com pancadas da moca que morreu, sendo de referir, entre outras lesões, o afundamento do crânio.

A estes quatro arguidos, que aproveitaram o fruto do crime para, por exemplo, passarem férias no Algarve, soma-se um comerciante de ouro, de Coimbra, que comprou o metal precioso em várias ocasiões, nomeadamente 50 mil euros no dia 25 de Junho e 12 mil em Outubro. 

No resultado das buscas domiciliárias, foram ainda apreendidos vários quilos de ouro, avaliados em dezenas de milhares de euros.

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