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19 de agosto de 2015

OPINIÃO - Acessibilidade ao nosso património cultural

Portugal tem um magnífico património cultural que todos os portugueses deveriam visitar; similarmente, devemos incentivar os nossos visitantes a apreciá-lo, o que economicamente nos é muito vantajoso. Contudo, infelizmente, a divulgação, a sinalética rodoviária e a acessibilidade, são frequentemente desmotivadoras desse desiderato. Assim, propomos algumas medidas para minimizar os problemas.
Organização de um bem estruturado portal acessível via internet, abrangendo todos os museus, monumentos, ruínas romanas, pré-históricas, medievais, ou outras, miradouros, formações geológicas, festivais culturais (e.g., feiras medievais), etc., de todo o território nacional.
Cada entrada deve ter, após o nome, as coordenadas geográficas (como tem o portal do IPPAR, embora o aqui proposto seja muito mais completo), para introduzir num “aparelho GPS” (captador dos sinais emitidos pelos satélites do “Global Position System” (GPS) montado e operado pelos EUA, mas posto à disposição gratuita de todo o mundo). Esta informação é extremamente importante, pois permite chegar ao local rapidamente, seja com o GPS, com carta militar, ou mesmo com um bom mapa de estradas, e também para digitar, e.g., no “Google Earth”, e ter logo a fotografia aérea, etc., do local, o que é extremamente útil para depois se lá chegar, mesmo sem GPS.
Depois, deve ter contactos telefónicos, direção postal, e um pequeno mapa indicativo do local, ou facilmente localizável num mapa nacional “extensível” (como “nos GPS”) para todos os locais assinalados neste portal.
Haveria depois 2-3 versões da descrição, suscetíveis de serem lidas no ecrã, descarregadas para equipamentos eletrónicos (e.g., telemóveis), e servirem de audioguias, só com som, ou também com imagem. Poderia ser, por exemplo, com versões “curta” (3/5 minutos), “média” (10/15 minutos), e” longa” (30 minutos ou mais), em português, inglês, etc., Deve ser possível aceder a cada entrada por várias vias: alfabética, geográfica por concelhos, de N para S, de E para W, por distância a partir dum dado ponto a digitar, etc. Esta última seria muito útil para que cada hotel no País pudesse dar aos hóspedes informação sobre o que visitar à sua volta. Deve ter “links” aos imensos portais locais, regionais, do IPPAR, Gulbenkian, etc., sobre património.
Todas as informações turísticas (do Estado, das autarquias, etc.) deveriam ter as “coordenadas GPS” dos locais indicados.
A sinalética rodoviária deveria ser muito melhorada. As atuais “setas” de cor castanha de formato simpático e apelativo (denominadas “Sinalização Turístico-Cultural”), deveriam progressivamente passar a incluir a distância ao local indicado. É muito frequente ver-se a seta, mas não se ter ideia nenhuma se estamos a 0.5 km ou a 5 km. Depois, desde a 1ª seta até ao local, faltam quase sempre muitas outras setas, por exemplo, em rotundas, ou mesmo junto ao local, mas quando ainda não óbvio (aqui, a distância na seta, e.g., 0.3 km, seria fundamental para se parar o carro e procurar a pé). Por exemplo, tive imensa dificuldade em encontrar a cidade romana Monte Padrão, habitada até ao séc. XI, onde foi bispo S. Rosendo, e referida nos programas do Sr. Prof. José Hermano Saraiva: ia até uma capela próxima, onde termina a estradinha rural, mas depois não havia qualquer indicação para este local de imenso interesse histórico, embora diste apenas cerca de 300 m da capela! Também deve haver seta na via principal próxima. Por exemplo, no IP3 (Coimbra – Viseu) deveria haver uma seta no cruzamento a Penacova – Luso, junto à Espinheira, para o Museu do Moinho, num topo do monte aí bem perto e com uma magnífica paisagem. Passo aí todas as semanas há dezenas de anos e nem sabia desse esplêndido museu! A indicação das “coordenadas GPS” seria muito útil, mesmo que com letra mais pequena.
A sinalética vertical deve ser progressivamente substituída por horizontal (inscrições no pavimento como para a “Via Verde”).
Não será economicamente viável aumentar as horas de abertura das “atracões culturais” mas, nalguns casos, é viável instituir um sistema que garanta segurança, com menos pessoal de cada vez (ou mesmo nenhum, e. g., em ruinas), com o auxílio de telecomunicações (incluindo imagem) para um comando central nacional, aberto todos os dias das 09h00 às 21h00, que permitisse identificação do visitante e seguir o seu percurso em vídeo vigilância. As partes sensíveis estariam resguardadas com materiais transparentes e resistentes a vandalismos (vidro temperado, laminado, acrílicos, etc., como por exemplo no MNAA (“Janelas Verdes”), em Persepolis, no Irão, etc..), além de alarmes ligados às Polícias. Hoje tal é viável e não dispendioso. Evitar-se-ia a enorme frustração (e prejuízo cultural e económico) de dispensarmos grande esforço para visitar uma igreja, umas ruinas, etc., e encontrarmos a porta fechada (e.g., Castro Romariz, S. M. Feira), em dias e horas propícias a visitas.
O Estado deve oferecer colaboração às empresas que produzem guias e mapas para GPS (e papel). Uma classificação alfanumérica das “atracões culturais” ajudaria muito (por exemplo, “t01coipt” para o templo Sé Velha, em Coimbra).
Naturalmente que as vias de acesso devem permitir a passagem de um automóvel. Por exemplo, tentei visitar um Forte na costa perto do Cabo da Roca, mas fiquei a 700 m (segundo o GPS), pois o caminho, já muito mau até aí, tornou-se totalmente intransitável, embora o Forte tenha muito significado histórico.
Relativamente ao património cultural constituído por espetáculos (teatros, concertos, etc.), sugerimos que o Estado organize um portal com todos os espetáculos disponíveis num dado dia, de tal modo que, via Internet, se saiba o que há disponível para aquele específico dia, para o concelho em causa, de modo que também rececionistas de hotéis pudessem rápida e eficientemente aconselhar os seus hóspedes.
Artigo de opinião, originalmente publicado na edição impressa do jornal Público de 19.08.2015

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