BUSSACO - Recriação da batalha levou milhares de pessoas à mata - PENACOVA ACTUAL
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28 de setembro de 2015

BUSSACO - Recriação da batalha levou milhares de pessoas à mata


Uma verdadeira romaria do povo à Mata do Buçaco, com milhares de pessoas a fazerem-se transportar de automóvel durante a manhã de ontem, dá bem a dimensão do que foi a recriação que assinalou os 205 anos da Batalha do Buçaco. A ocasião foi aproveitada por muitos para fazer piqueniques sob a vegetação frondosa de árvores centenárias.

Quanto à recriação da própria batalha – uma das mais importantes das Invasões Franceses em solo português – terá sido igualmente das maiores realizadas até hoje, não ultrapassando, contudo, a que ocorreu, no mesmo local, há cinco anos, aquando do bicentenário das invasões napoleónicas.

Impressionou a potência dos estampidos dos canhões e baionetas, com as tropas luso-britânicas a rechaçar o exército francês, com o apoio do povo.

Dezenas de “soldados” espanhóis e ingleses

Participaram cerca de centena e meia de figurantes (muitos deles das designadas Associações Napoleónicas de Espanha e Inglaterra), para os quais esta atividade é, em muitos casos, a sua principal ocupação profissional. Fardaram a rigor e com armamento da época.

A poucos metros, o público assistiu ao desenrolar dos acontecimentos nas Portas de Sula, no alto da serra, logo após o final das habituais cerimónias militares e protocolares do Exército Português, presididas pelo vice-Chefe do Estado Maior do Exército, o tenente-general, Pereira Agostinho.

Exército e autarquias colaboraram na organização das cerimónias


O Exército Português fez-se representar ao mais alto nível nas cerimónias de ontem na Serra do Buçaco. O n.º 2 da hierarquia, Pereira Agostinho, explicou que a instituição integra uma Direção de História e Cultura Militar responsável por estabelecer parcerias com outras entidades – de forma a realizar recriações históricas – mas também normas de funcionamento dos museus militares (incluindo o que existe no Buçaco), inventariação de património e estudos heráldicos.

O militar adiantou que “não sendo a principal missão do Exército, fazê-mo-lo com muito gosto e contatando que a população se revê nestas iniciativas”.

Pereira Agostinho acrescentou que, embora nem sempre haja recriação da Batalha do Buçaco, “todos os anos assinalamos a memória desta data, em homenagem aos que tombaram em defesa da independência nacional”.

Por outro lado, o presidente do município da Mealhada, Rui Marqueiro, reconheceu o valor histórico da batalha ontem celebrada, “mas também temos que ver o aspeto turístico”, acrescentando que a organização foi conjunta com as autarquias de Mortágua e Penacova. Neste contexto, o autarca admite que em próximas celebrações, os dois restantes concelhos também venham a ser palco de atividades relacionadas com eventos deste tipo, num trabalho conjunto de colaboradores das três edilidades.

Ladeado pelos respetivos autarcas, Rui Marqueiro considerou que o trabalho conjunto foi “um êxito absoluto, em que os funcionários foram inexcedíveis”. Quanto a investimentos na recriação histórica, Rui Marqueiro afirmou que “vale a pena quando a alma não é pequena”, assumindo, por exemplo, a despesas de alojamento dos elementos das associações napoleónicas.