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23 de setembro de 2015

OPINIÃO - Testando os limites do ridículo

O défice público do ano passado foi esta quarta-feira revisto para 7,2% do PIB, devido à contabilização dos 4900 milhões de euros usados para capitalizar o Novo Banco. Uma derrapagem de 2,7 pontos percentuais face aos 4,5% estimados em Abril segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Passos Coelho e o seu Governo foram rápidos a dizer que esta revisão “não terá nenhum efeito na vida das pessoas”, que se trata de um “efeito meramente estatístico” e acrescentou que, na verdade isto é bom porque os juros estão a render, visto que o banco não foi nacionalizado e o dinheiro foi emprestado ao fundo de resolução (composto em 3900 milhões de euros por dinheiros públicos).

Sem solução à vista no processo de venda do Novo Banco (nenhum possível comprador vai tomar uma decisão antes da divulgação dos resultados dos testes de stress que o Banco Central Europeu realizou no Novo Banco, agendada para Novembro), será que estamos assim tão seguros quanto Passos Coelho nos quer assegurar?

Não. A situação é absolutamente caótica.

A venda do Novo Banco está prevista para Agosto de 2016. Até lá, caberá ao Estado suportar a dívida do fundo de resolução na sua maioria, bem como proceder a injecções de capital caso o BCE o considere necessário.

E não é tudo.

Segundo uma análise da Société Générale, a receita de uma futura venda não ultrapassará os dois mil milhões de euros, o que deixaria um buraco de 2900 milhões de euros para resolver. Para piorar este cenário, os últimos resultados semestrais do Novo Banco a que consegui aceder indicam prejuízos de 252 milhões de euros… A tendência é para que as propostas de aquisição sejam cada vez mais baixas, o que vai resultar em défice para o Estado.

A dias das legislativas, percebemos que os últimos quatro anos de austeridade, a destruição do Estado Social, os atropelos ao Constitucional e o desemprego foram para nada. O défice voltou aos níveis de 2011 e com ele a “ameaça” do incumprimento das metas estabelecidas por Bruxelas.

Rui Sancho

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