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24 de setembro de 2015

OPINIÃO - Uma voz por Coimbra e pelo país

Coimbra é o país. Os efeitos destruidores da economia e da sociedade provocados pela austeridade, pela receita do empobrecimento, a realidade do desemprego, da precariedade e da emigração não são coisas longínquas, num país fora daqui. São o nosso dia a dia em Mira, em Penela, em Penacova, em Soure, em Coimbra, em todo o distrito.
É aqui, à nossa beira, que está o país mirrado pelas políticas de empobrecimento, de retirada de direitos essenciais às pessoas – sobretudo às mais pobres – e de desqualificação dos meios para o exercício concreto desses direitos. Não é tolerável que continuemos todos a pagar milhões pelo cambalacho do BPN enquanto num concelho como Oliveira do Hospital há 13.000 pessoas sem médico de família. Não é tolerável que se corte nas pensões ou nos salários para pagar as rendas milionárias das parcerias público-privado, enquanto a A13 termina no meio de nada junto a Condeixa. Lutar por um país diferente, em que a prioridade do Governo seja o Serviço Nacional de Saúde ou a escola para todos e não a salvação de bancos geridos por gangues financeiros, é algo que tem que ter lugar no nosso distrito. E para isso são precisas vozes que ponham o distrito acima das engenharias de concelhias e distritais partidárias, que não hesitem, seja qual for a cor política do Governo, na defesa da solução ferroviária a que têm lugar as pessoas de Coimbra, de Miranda do Corvo e da Lousã e não hesitem na denúncia da humilhação de Coimbra e das suas gentes pelo cancelamento do prometido metro ligeiro de superfície depois de anos de administrações que administraram apenas o vazio, com custos obscenos para o erário público.
Isto dito, deixem-me fazer-vos uma pergunta: face ao estado a que os sucessivos governos do centro e da direita conduziram o país que está aqui no nosso distrito, faz algum sentido manter a representação de Coimbra no parlamento como um exclusivo de PS, PSD e CDS? Einstein terá escrito que ‘loucura é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes’. A rutura com as políticas de desordenamento do território e de punição das pessoas mais frágeis não será feita pelos seus adeptos fervorosos nem pelos que acham que é tudo uma questão de grau. Não serão esses que, no parlamento, se baterão por uma renegociação da dívida que dê à nossa economia condições de respirar e de crescer; não serão esses que se baterão por uma revolução fiscal que acabe com a punição do trabalho, que tribute as transações bolsistas, diminua o IVA da restauração, da eletricidade doméstica ou do gás e elimine a sobretaxa do IRS; e não serão seguramente esses que se baterão para que, custe o que custar, sejam devolvidos os rendimentos cortados pelas políticas de austeridade, desde os salários dos funcionários públicos às prestações sociais para os mais pobres.
Sei, por experiência própria, a importância de uma voz do Bloco de Esquerda que represente assim Coimbra no parlamento. É tempo de voltarmos a ter essa voz.
José Manuel Pureza



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