JUSTIÇA - Julgamento do crime de Foz de Arouce com alegações finais para 16 de outubro - PENACOVA ACTUAL
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7 de outubro de 2015

JUSTIÇA - Julgamento do crime de Foz de Arouce com alegações finais para 16 de outubro


O arguido Pedro acusou o companheiro Francisco de “ser uma menina”. Numa das muitas discussões ocorridas durante as férias de Portimão, o mecânico mostrou-se descontente com a postura do seu companheiro de furto na madrugada de 25 de junho de 2014, e que o obrigou a “fazer tudo”.

A arguida Tânia e a testemunha João confirmaram esta “animada” conversa entre os dois arguidos. Aliás, Tânia começou por falar na frase inscrita no título desta notícia, mas depois de algumas inquirições acabou por dizer que Pedro já não teria falado daquela forma. Coube à testemunha João confirmar estas palavras nas declarações que prestou ao final da tarde de ontem no Tribunal da Lousã.

O ex-amigo de Pedro acompanhou-o naquelas férias de Portimão e recordou que o tom de conversa entre os dois arguidos era tudo menos amistoso. De tal forma que a arguida Tânia terá, segundo esta testemunha, abandonado as férias algarvias. Informação que o coletivo anotou, aproveitando para deixar algumas críticas à arguida.

Sobre as férias, a antiga companheira de Francisco disse que elas não terão custado mais “de 600 euros” para o casal. “Foi o valor dos dois cheques que o Francisco depositou na minha conta”, garantiu Tânia. Questionada sobre “a vida faustosa” daqueles dias, a arguida negou, mas acabou por reconhecer que o valor poderia ser maior em virtude de ter ido “comer fora” algumas vezes e de terem ido “algumas noites” às discotecas e bares daquela zona.

Nas declarações, Tânia declinou qualquer responsabilidade no primeiro furto (ocorrido em fevereiro de 2014) e que a primeira informação solicitada sobre a carrinha do ourives teve lugar apenas em maio. Na conversa a três, em que a arguida reconheceu ter ficado “com algum receio”, foi-lhe pedido que fizesse vigias ao casal de ourives.

Duas deslocações a Foz de Arouce foram confirmadas por Tânia, tendo em ambas as situações estado presente a arguida Catarina. Aliás, foi esta que passou em frente à casa dos ourives quando estavam a chegar de uma feira.

A amiga da Tânia informou esta do sucedido na madrugada do dia 25 de junho, principalmente quando as notícias começaram a ser veiculadas pela comunicação social. “Ligou-me perto da hora de almoço a falar deste crime”, frisou. Tânia referiu que ainda tentou falar com o ex-companheiro sobre o sucedido naquela madrugada, mas que este apenas lhe disse que “o casal estava morto”. “Não quis falar mais sobre o assunto”, frisou, mas fez questão de lembrar que desde o sucedido naquele dia “o Francisco andou muito nervoso”. Ontem, o coletivo de juízes presidido por João Ferreira tentou ouvir o recetador do ouro furtado ao casal de ourives, mas este recusou-se “a falar sobre os factos”.

Alegações marcadas

 No resto do dia, houve tempo para ouvir algumas das testemunhas de acusação e de defesa. Por um lado, ficou-se a saber que, desde o sucedido, a família deixou de festejar qualquer tipo de aniversário ou data festiva. E que os pais de Pedro se sentem “rejeitados” pela sociedade local.

Sobre a postura dos arguidos nas investigações, o agente da Polícia Judiciária ouvido no Tribunal da Lousã disse que Pedro começou por negar, inicialmente, os factos, mas depois acabou por ser “bastante colaborante”. De tal forma que foram as suas informações a levar os agentes a encontrar o ouro pertencente ao Francisco numa casa abandonada.

Devido ao assumir de responsabilidades dos dois principais arguidos logo na primeira sessão, os advogados acabaram por prescindir de algumas das testemunhas que tinham pedido para serem ouvidas.

Esta situação levou a que já tivesse sido marcada para o próximo dia 16 de outubro, pelas 09H30, a sessão onde o Ministério Público e os advogados farão as alegações finais, bem como ficou agendada para a tarde de 6 de novembro a “leitura” do acórdão.