LORVÃO - Bispo exorta crentes a seguirem exemplo de Teresa e Sancha


O bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, exortou ontem os crentes a seguirem o exemplo das santas rainhas Teresa e Sancha, filhas do rei Sancho I, para que cada um «seja mais justo e mais puro». O prelado intervinha na igreja do Mosteiro de Lorvão, Penacova, durante a cerimónia de abertura dos túmulos de prata das duas infantas, beatificadas pelo papa Clemente XI, em 1705, cujos restos mortais foram trasladados há 300 anos para aquele templo. 

«Duas mulheres» que, na sua opinião, «foram fiéis e obedeceram à luz de Deus», cumprindo um conceito, actualizado pela Igreja de Roma como «vocação universal à santidade».

As celebrações ontem realizadas em Lorvão constituem “um acontecimento histórico e eclesial da ordem da fé”, assente naquele conceito, proclamado no Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, em 1961. 

Para Virgílio Antunes, «como seria diferente»a sociedade, designadamente no plano político, nacional e internacional, se cada pessoa e cada dirigente realizassem, «com maior seriedade, esta vocação universal à santidade». Um objectivo da ordem da fé, mas que, igualmente no mundo profano, faria com que cada crente e cada cidadão fosse «mais santo, mais justo, mais puro e também mais feliz», sublinhou. 

Mulher de Afonso IX de Leão, a infanta Teresa de Portugal (1181-1250) foi uma das religiosas mais importantes de Lorvão. Sua irmã Sancha (1180-1229) foi a fundadora do Mosteiro de Celas, em Coimbra. 

A abertura dos túmulos das santas rainhas, especialmente veneradas, há séculos, pelas populações da zona de Penacova, é uma das iniciativas de encerramento do programa dos 300 anos da sua trasladação para os sarcófagos de prata, organizado pela Junta de Freguesia local, com apoio da Câmara de Penacova e da Associação Pró Defesa do Mosteiro de Lorvão, dirigida pelo historiador Nelson Correia Borges. 

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, disse que o mosteiro de origem medieval, que acolheu durante décadas o Hospital Psiquiátrico de Lorvão, carece de obras diversas. Para preservar e dinamizar este património, o autarca disse que Penacova aguarda pela aprovação de duas candidaturas a fundos europeus, no valor de 300 mil euros cada, promovidas pela Direcção Regional de Cultura do Centro (DRCC), dirigida por Celeste Amaro. 

Um dos projectos visa a preparação da entrada em funcionamento do Museu do Mosteiro, que tem sido reclamada pela associação liderada por Nelson Correia Borges, enquanto o outro tem como objectivo o restauro do telhado, a fim de travar a degradação do interior do mosteiro, classificado como monumento nacional, em 1910. 

A cerimónia presidida pelo bispo da Diocese de Coimbra incluiu cânticos acompanhados pelo órgão de tubos do Mosteiro de Lorvão, em cuja recuperação a DRCC gastou cerca de 650 mil euros. Ainda no âmbito das comemorações, iniciadas em Março, foi ontem lançado o livro infanto juvenil “Teresa de Portugal”, da autoria de Paula Silva, que conta a história da filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques. No domingo, realiza-se a recriação histórica “Lorvão, glória da Ordem de Cister”.

Lusa

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