III FÓRUM DO INTERIOR - É possível travar “sangria” dos territórios do interior - PENACOVA ACTUAL
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12 de novembro de 2015

III FÓRUM DO INTERIOR - É possível travar “sangria” dos territórios do interior



«Vontade política» e «articulação estratégica entre o local e o nacional» constituem a “receita” base para desenvolver as regiões do interior e combater a “sangria” a que têm estado sujeitas. Esta foi uma das conclusões do III Fórum da Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, que decorreu em Penacova. Um caminho que tem como pressuposto a criação de uma lei de Bases do Desenvolvimento Local, proposta que Eduardo Figueira, presidente da associação, defendeu na sessão de abertura do encontro e que reiterou no encerramento, como receita fundamental para tornar eficaz qualquer estratégia para o desenvolvimento e afirmação do interior.

Sublinhando as dificuldades que enfrentam as organizações da economia social, Eduardo Figueira salientou a sua «vitalidade e resiliência», como factores fundamentais e uma «mais-valia para «o desenvolvimento local» e fez notar a «ferramenta facilitadora» que o Portugal 2020 pode representar para as organizações da economia solidária, como «agentes capazes de contrariar os factores que levam ao aparecimento das regiões deprimidas, por possibilitar um intervenção não caritativa».


As conclusões do fórum - que reflectiu sobre o combate à degradação económica e social do interior, sob o tema “Cooperação e Desenvolvimento Local” - sublinham ser «necessário» e «possível» «travar a sangria dos territórios do interior», bastando, para isso, que «haja articulação estratégica entre o local e o nacional», bem como a «necessária vontade política». «É possível promover o desenvolvimento e a qualidade de vida nos territórios deprimidos e de baixa densidade, desde que se optem as políticas adequadas», refere o documento das conclusões, que aponta o Portugal 2020 como «um instrumento adequado». O Fórum do Interior, que reuniu, durante dois dias, académicos, estudiosos, autarcas, decisores políticos, dirigentes e técnicos associativos, incluiu mais de uma dezena de debates e oficinas, «cumpriu os seus objectivos», afiançou o presidente da Animar, organizadora do evento, em parceria com a Câmara de Penacova e o Grupo de Solidariedade Social, Desportivo, Cultural e Recreativo de Miro.

Artur da Rosa Pires, catedrático da Universidade de Aveiro, convidado para a conferência inaugural, advogou a necessidade de «um novo paradigma para as políticas de desenvolvimento», considerando estratégico «perspectivar o desenvolvimento das áreas rurais tendo em vista integrá-las nas redes económicas globais, sob pena de as regiões deprimidas e de baixa densidade estiolarem». Uma integração que, no entender deste especialista pode passar, nomeadamente, pelo «desenvolvimento de sistemas de alimentação saudável», «revalorização da natureza, explorando as potencialidades do património e do meio ambiente». Defendeu, ainda, uma reorientação do foco das universidades, do urbano para o rural, que estas têm «negligenciado». DC

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