JUSTIÇA - Homicidas de Foz de Arouce condenados a 25 anos de prisão



Uma verdadeira barbaridade. Foi deste modo que o juiz João Ferreira classificou todo o enquadramento que levou à morte violentíssima de um casal de ourives (com cerca de 60 anos), em Foz de Arouce, na sequência de um planeado roubo de ouro, em Junho de 2014.

Ontem, no Tribunal da Lousã, na repleta sala de audiências, o juiz sublinhou a frieza, desprezo e total insensibilidade dos arguidos em toda a sua actuação, condenando assim os dois jovens homicidas (Pedro tem 33 anos e Francisco tem 23 anos - residem ambos em Penacova) à pena máxima de 25 anos de cadeia, pelos crimes de homicídio, furto, roubo e branqueamento.

O juiz disse admitir que ambos não tivessem planeado o homicídio do casal, mas ao se fazerem municiar de uma pistola e de uma moca admitiram previamente que iriam usar de violência para concretizar o roubo do ouro. Quanto à brutalidade das agressões, o juiz disse mesmo que aquela actuação não era digna de pessoas e nem de animais. Um perito que analisou os corpos disse que verificou um deslocamento da dura-máter, algo que será muito invulgar e atesta da extrema violência utilizada. Disse o juiz que os dois criminosos se foram revezando nas agressões e que algumas das pancadas foram dadas já com as vítimas mortas. No caso da senhora, esta inclusivamente viu o marido morrer às mãos dos homicidas e suplicou, sem sucesso, pela sua vida, sendo ainda estrangulada com um fio.

O juiz foi claro dizendo que se em Portugal não existisse o limite dos 25 anos eles seriam condenados a mais anos de prisão (a soma das penas pelos vá- rios crimes era superior a 50 anos).

Tânia, de 26 anos e residente em Poiares, é feirante e foi ela quem falou aos amigos no casal de ourives que os seus pais conheciam por serem feirantes. Foi condenada a uma pena de 6 anos de prisão pelo roubo agravado e pelo branqueamento. O juiz criticou a sua postura em julgamento ao desvalorizar o seu papel em todo o planeamento. «A senhora aderiu antes e depois a uma barbaridade», sublinhou João Ferreira, frisando que não só a arguida ajudou os colegas a vigiar a casa antes, a livrarem-se da roupa ensaguentada e de uma viatura como logo depois seguiu para o Algarve com o namorado numas férias pagas com o produto do roubo.


Catarina, de 24 anos e residente em Penacova, era o quarto elemento do grupo. Amiga de Tânia foi-lhe pedido que ajudasse na vigilância à casa dos ourives e numa das vezes por lá passou a pé para melhor perceber onde a carrinha ficava parada. Algo que Tâ- nia não podia fazer por ser conhecida das vítimas. O juiz valorizou o seu papel no esquema criminoso, mas admitiu que a jovem depois se afastou do grupo e recusou ir nas tais fé- rias. Foi assim condenada a uma pena suspensa de três anos e meio de prisão pelo roubo agravado.

João Luís Campos

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