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16 de novembro de 2015

OPINIÃO - E um pouco de noção?

Os acontecimentos em França são de uma tristeza imensa. Mais um cobarde ataque ao estilo de vida europeu por parte de um inimigo sem face.
Todos nós devemos reflectir sobre eles. Infelizmente, nesta sociedade do imediato, a reflexão parece cada vez mais uma coisa do passado.
As reacções anti-imigração, anti-islamitas e anti-refugiados que se vêem por aí merecem apenas uma resposta da minha parte: um indescritível e profundo asco.
Tais reações, alicerçadas na ignorância e no medo, são terreno fértil para as Marie Le Pen e os PNR's desta vida. Aliás, no caso português, o ignóbil movimento não deixou de aproveitar, lançando uma campanha de ódio religioso e xenófobo, que está a ser recebida por pessoas perfeitamente normais com alguma naturalidade.
Levantam-se as vozes que exigem o fecho das fronteiras aos refugiados. Partilham-se notícias de há 4 meses atrás com o único intuito de espalhar o terror, utilizando-o como arma política.
Asco
É isto que nós queremos? Responder ao terror com terror?
Será que ainda não aprendemos nada com a experiência dos últimos anos?
O ataque em França nada tem a ver com refugiados. Eu sei disso e tu, se não andares com os cornos enfiados nas quintas e novelas de bosta que te impingem a toda a hora, também sabes exactamente qual é o verdadeiro problema.
Em França, o medo venceu.
Por toda a Europa o medo venceu.
O medo levou a que as pessoas olhassem para os governos pedindo soluções. Os governos, em troca, pediram mais controlo.
Menos privacidade em troca de mais segurança.
E é aqui que reside o problema: não é o governo que deve controlar o povo, é o povo que deve controlar o governo.
A democracia resume-se hoje ao voto. A participação democrática termina aí para o cidadão comum. Chamamos a isto democracia representativa?
Quem me representa quando compramos o petróleo que financia o Estado Islâmico? Quando vendemos ou deixamos vender as armas que eles usam para nos atacar, quem me representa?
Asco.
Até quando vamos continuar a fingir que não temos nada a ver com o que se passa na Síria, quando somos nós que permitimos que esta situação se arraste?
É a nossa inércia que permite a proliferação do extremismo. Os jovens que nascem naquele ambiente não conhecem outra realidade. Os adultos apanhados no conflito são confrontados com uma escolha: convertem-se ou morrem.
E agora? Ainda achas que devemos fechar a porta aos refugiados?
Se sim, parabéns. És uma valente Besta.

Rui Sancho

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