RECADOS DO PATRIMÓNIO - O Reencerramento dos túmulos das Santas Rainhas em Lorvão - PENACOVA ACTUAL
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8 de novembro de 2015

RECADOS DO PATRIMÓNIO - O Reencerramento dos túmulos das Santas Rainhas em Lorvão

A imagem anexa constitui para memória futura (a primeira a ser publicada na imprensa) do momento exacto do reeencerramento das arcas tumulares onde repousam as relíquias das Santas Rainhas de Portugal (D. Teresa e D. Sancha), após reabertura de 300 anos de encerramento (1715). O ónus da prova está registado nas propriedades da imagem (18H11 do dia 18 de Outubro de 2015) ao gravar o momento em que o vigário da Diocese de Coimbra, padre Dr. Pedro Miranda sob a presidência de D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, fecha a arca tumular de D. Sancha. Depois seguiu-se a de D. Teresa. E agora, quando serão reabertos? Ninguém sabe já que durante 300 anos não existem provas que tenham alguma vez sido abertas.

A igreja monacal lorvanense foi palco de um dos momentos mais brilhantes da sua longa epopeia histórica para gáudio dos lorvanenses e não só, materializado numa sessão solene dita de “encerramento dos túmulos das Santas Rainhas nos 300 anos das relíquias para a igreja do Mosteiro”. Presentes as principais entidades eclesiásticas da Diocese de Coimbra, autarcas e associações do concelho, irmandades do Lorvão, Arouca, Coimbra e Espanha (nota negativa para as ausências de Montemor-o-Velho e Alenquer) e de muito, mas muito povo animado pela devoção e algo de curiosidade, o que é saudável. A igreja monacal repleta de pessoas respirava devoção, alegria, entusiasmo e comungava dos cânticos provindos dos coros dirigidos por Nuno Fileno com acompanhamento musical do monumental órgão tubular sob o comando do organista João Guerra. Simplesmente deslumbrante e cinestesiante bem à maneira da gratidão das Santas Rainhas.


Tratou-se de uma sessão ímpar em tempos hodiernos no mosteiro lorvanense em nada fragilizada com atenções concentradas em Gavinhos, onde a equipa de futebol local defrontava o Rio Ave para a Taça de Portugal (União Rio Ave), um outro momento histórico no concelho de Penacova em nada a afectar a ambiência lorvanense, a não ser as dificuldades de acesso.

O autor de RP marcou presença, não foi convidado, nem precisava de o ser, o momento exigia-o e por isso sou obrigado a confessar a não neutralidade historiográfica para narrar emoções e sentimentos, conforto e alegria, “vivências” culturais, patrimoniais e de fé impares… e só temos de estar gratos ao Supremo por ter permitido ser participante nesta cerimónia exaltante e brilhante da comunidade lorvanense. As cerimónias, por certo não tiveram o brilhantismo das verificadas em 1715 (sábado 19, domingo 20 e 2ª feira 21 de Outubro); mas, foram simplesmente brilhantes e as comunidades envolvidas estão de parabéns a quem ousamos “tirar o chapéu” e dizer Obrigado Lorvão.

Dito isto e como recomendação aos leitores interessados em conhecer algo sobre a história das arcas tumulares e cerimónias do encerramento em 1715, recomenda-se leitura de um artigo de alta qualidade científica e leitura apelativa publicado na revista Oceanos (nº 43) pelo prof. Dr. Nélson Correia Borges, o maior historiador e animador do mosteiro lorvanense.

*Artigo de opinião originalmente publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 08.11.2015

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