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13 de janeiro de 2016

CHEIAS - Coro de Críticas contra a atuação da EDP



Um dia depois do açude ter debitado quase 1500 metros cúbicos por segundo, o rasto de destruição nas margens do Rio Mondego é ainda bem visível. 24 horas passaram e ninguém consegue prever quando será possível regressar à normalidade.

Direcção Regional de Cultura exige responsabilidades à EDP

Na margem esquerda do Mondego, as ruínas e o claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha estão ainda submersos, embora os níveis do leito do rio tenham descido. Durante a manhã, a delegada regional de Cultura do Centro deslocou-se ao local e deixou a garantia de que «alguém tem de se responsabilizar», porque «a culpa não pode morrer solteira».

«Alguma coisa correu mal», criticou Celeste Amaro, lamentando que as cheias tenham voltado a Santa Clara-a-Velha, sem que a cortina de impermeabilização fosse suficiente para evitar a força das águas. «Esse muro [que teve um custo de 6 milhões de euros entre os 16 milhões do total da obra] foi dimensionado, com apoio em todos os estudos» para evitar as inundações e, «sem razão aparente», as inundações invadiram vários espaços.

Ontem, de manhã, alguns funcionários, de galochas calçadas, ainda tentaram verificar o alcance dos estragos, no entanto, conforme refere Celeste Amaro, só quando a água baixar será possível avaliar, em pormenor, os prejuízos.

Para já, a directora regional de Cultura não adianta previsões para a reabertura do mosteiro e respectivo centro interpretativo, sendo certo que, pelo menos até domingo, será impossível abrir as portas aos visitantes.

Entre críticas, vai apontando o dedo à EDP, a empresa concessionária da Barragem da Aguieira, que, dentro de dias, deverá receber o relatório dos estragos no mosteiro provocados pelas cheias. Ali ao lado, no restaurante Tertúlia D’ Eventos (antiga discoteca Scotch), o desalento não tem medida.

«É um ano de trabalho», que literalmente, foi por água abaixo. Lá dentro, a água chegou a atingir 1,60 metros de altura e todo o piso térreo ficou inundado.

Segunda-feira, quando a água começou a subir, ainda foi possível deslocar alguns bens para o piso superior, mas «tudo o que é maquinaria» não foi possível salvar, refere o proprietário Milton Dias, que, ontem ao final da manhã, dava conta de «prejuízos incalculáveis».

Também ali, não é possível fazer previsões quanto ao retomar da normalidade, em vésperas de um fim-de-semana, com marcações de eventos para cerca de 400 pessoas, refere a também proprietária Almerinda Dias. Para já, ainda há litros e litros de água para tirar e muito trabalho pela frente.

Água baixou e revela destruição nos bares do Parque Verde


No parque de estacionamento da antiga Scotch, a água, ainda atingia vários centímetros de altura, pelo que, para os Bombeiros Sapadores, não foi tarefa fácil retirar uma viatura que, no dia anterior, ali tinha ficado submersa.

Entretanto, a Câmara Municipal de Coimbra manteve accionado o plano de emergência.

A questão do aumento do caudal das águas do Rio Mondego foi abordada num encontro com os jornalistas, hoje de manhã, no Museu da Água, pelos presidentes das câmaras municipais de Coimbra, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Soure.

No Parque Verde do Mondego, as inundações motivaram a curiosidade de dezenas de pessoas que quiseram ver de perto os danos causados pela força das águas. Com máquinas fotográficas ou telemóveis, muitos captavam imagens de uma cidade que, em poucas horas, viu o rio galgar as margens.

«Não me lembro de nada assim», comentou Armando Salgueiro, residente em Santa Clara.

À primeira vista, surgem os estrados levantados e as cadeiras e mesas destruídas, mas quando se espreita para o interior dos estabelecimentos comerciais - dois deles encerrados desde 2015, um a aguardar certificado de segurança e outro obras na placa -, percebe- -se que a destruição deixou marcas e avultados prejuízos.

António Silva, da Administração do Complexo Verde do Mondego, deslocou-se ao parque para avaliar os estragos, mas recusou-se a prestar declarações ao Diário de Coimbra.

Por ali, as portas continuam encerradas e, ao longo de todo o dia, não houve sequer trabalhos de limpeza.

Na margem esquerda, a manhã foi de muito trabalho no restaurante das Piscinas do Parque Verde. Perto da hora de almoço, a limpeza não estava concluída, mas, se as previsões não falharam, ontem à noite os jantares já decorreram com toda a normalidade.

No pavilhão dos Desportos Náuticos da Associação Académica de Coimbra, também não havia mãos a medir para retirar a lama, mas «ainda há muito trabalho de limpeza a fazer no fim-de-semana», sublinhou Miguel Alfaiate.

No espaço do Clube Fluvial de Coimbra o cenário não era muito distinto, com Sérgio Bento e Rui Fernandes de vassoura em punho. As embarcações que se encontravam no interior foi possível salvar, mas muitas das que se encontravam no espaço exterior ficaram danificadas, explicaram os dois jovens. No Clube do Mar do Centro, ainda não tinha sido possível quantificar estragos, depois da invasão da água, mas também eram previsíveis alguns prejuízos.

Patrícia Isabel Silva | Diário de Coimbra

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