DIA INTERNACIONAL DAS FLORESTAS - Floresta de pinho da região diminui a grande velocidade

No princípio era a floresta autóctone. Depois, tudo começou a mudar, primeiro com a “pinheirização”, mais recentemente com a indesejada mas rentável “eucaliptização”. A floresta portuguesa não é a mesma e continua a mudar. E não é para melhor. «As áreas de floresta natural em Portugal estão a regredir de forma acentuada», alerta Vasco Campos, presidente da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF).

Problemas relacionados com os incêndios e a fitossanidade continuam à cabeça das preocupações da FNAPF e de quem tem assume por missão a defesa da floresta.

«Os incêndios florestais sempre existiram e sempre vão existir. O que queremos é menos ocorrências e menos área ardida», diz Vasco Campos, para quem as medidas governamentais existentes são adequadas, mas falta o resto: prevenção e sensibilização. Cabe, segundo o presidente da FNAPF, às populações assegurar a limpeza das suas matas porque diminuindo a carga combustível, diminuem os incêndios. Depois, defende, há que cumprir a lei, porque a limpeza dos 50 metros à volta das casas é obrigatória mas «há muito incumprimento». «As pessoas têm de assumir as suas responsabilidades. Não há problema de legislação, há é problema de cumprimento», afirma. A par dos incêndios, as pragas e doenças constituem os principais inimigos da floresta portuguesa que nos últimos anos levou um “abanão” por causa, nomeadamente, da doença do nemátode do pinheiro.

 «O nemátode de pinheiro é a nossa maior preocupação», admite Vasco Campos, revelando que a área de pinho da região Centro «está a diminuir a grande velocidade» por força da doença e está a ser substituída por eucalipto, espécie de crescimento rápido e rentável a nível económico, mas prejudicial para o território, para os solos e para a biodiversidade.

Legislação obriga a limpeza das matas à volta das casas, mas continua a haver muito incumprimento pelas populações

Num país onde 95% da mancha florestal está no domínio privado, o abandono das terras é crescente e constitui um problema. «É o abandono das aldeias e do interior onde se concentra a maior parte da floresta», destaca Vasco Campos, que apoia medidas para contrariar este êxodo rural, que passam pela criação de novas zonas de intervenção florestal, pela fiscalidade verde, criação de mais associações de proprietários florestais e pelas equipas de sapadores florestais.

Vasco Campos lamenta a existência de uma floresta que hoje é diferente para pior, porque se apostou numa vertente económica e comercial em detrimento de uma visão social e ambiental. «Floresta não é só madeira», alerta, defendendo a (re)construção de um património que deve ser «diversificado», onde as espécies de crescimento lento têm um papel preponderante. Seria um regresso ao princípio, com carvalhos, freixos, medronheiros e outras espécies autóctones.

ZIF com mais autonomia para actuar bem

Vasco Campos considera que as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) são «a grande bandeira» para a resolução dos problemas macro que se colocam à floresta, nomeadamente relacionados com os incêndios e a fitossanidade. Haverá no país, segundo o responsável, entre 180 e 200 ZIF e mais seriam necessárias mas, acima de tudo, exige-se «autonomia» às ZIF. «Mais importante que haver mais importa que estas funcionem», defende.

FNAPF é interlocutor entre proprietários e Governo

Fundada em 2008, a FNAPF – Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais é uma organização associativa de âmbito nacional, sem fins lucrativos, que congrega actualmente 43 associações de proprietários e produtores florestais de norte a sul do país. Vasco Campos preside à estrutura que, explica, pretende ser «interlocutor para as questões florestais» entre os proprietários e o Governo. Trata-se de um organismo de optimização do património florestal que encaminha os proprietários florestais de modo a promover a gestão florestal e a maximização dos rendimentos dos proprietários.

Margarida Alvarinhas | Diário de Coimbra

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