HOMENAGEM - Luís Pais Amante recorda-nos Homero Pimentel


Homenagem ao Pedagogo Homero Pimentel

No próximo dia 14 de Maio, pelas 11h, o nosso saudoso Professor Dr. Homero vai ser homenageado na nossa terra, com a inauguração do seu busto em frente ao local onde durante muitos anos dirigiu o Externato que, no meu tempo de estudante, se chamava Externato Príncipe das Beiras e antes Externato Nova Esperança.

É na pérgola de cima, junto ao banco.

As gerações mais novas não o saberão, mas este bom homem da nossa Penacova ainda construiu instalações novas para o Externato, que eu já não frequentei, onde hoje se localiza o Agrupamento Escolar 2o.e 3o. Ceb e Secundário.

A homenagem a que me estou a referir tem a vantagem de partir de um grupo de seus antigos alunos, grupo esse que, em consonância com a família do Professor, tem recorrido a eventos diversos para angariar verbas suficientes para custear o acto que agora se vai materializar.

E isso, num momento em que se pede ajuda pública para tudo, é de enaltecer.

O Município também se vai associar ao acontecimento, sendo certo que eu penso que, se calhar, todos nós Penacovenses lhe teremos, ainda, que reconhecer maior estatuto, o que fica para ser estudado noutros momentos.

E, afinal, porque será que este homem, que já faleceu há algum tempo, reúne, ainda hoje à volta do seu nome tanta vontade de perpetuar a sua existência?

Eu sou suspeito porque o Dr. Homero ajudou a minha frequência no seu colégio, permitindo a meu pai – de que era amigo – pagar como pudesse as propinas, sendo que eu tenho a ideia de que lhe ia perdoando algumas.

Afora isso, o que é facto é que posso aduzir 5 razões:


  • O Dr. Homero era um homem do povo, com origem numa família muito humilde e, o certo, é que esse mesmo povo nunca se esquece dos que lhe pertencem


  • O Dr. Homero foi um visionário no seu tempo e, sem posses para tanto, investiu tudo o que tinha – e, provavelmente, o que não tinha - para poder ensinar e fez isso mesmo em Penacova e em Arganil


  • Tratava-se de uma pessoa que vivia para o ensino e para os seus alunos, secundarizando tudo o resto, ou seja, era um homem que tinha uma missão a cumprir: ensinar


  • Os seus alunos que vinham de todo o País – nós todos – reconhecemos que os seus métodos de ensino, que, na altura, poderiam ser entendidos como mais ou menos ortodoxos, constituíam todo um manancial pedagógico que só o Dr. Homero praticava e desenvolvia!


  • O nosso Professor sabia constituir equipas docentes que prosseguissem as suas ideias e, mais do que isso, que admitissem a sua intromissão continua e sistemática no desenvolvimento do ano lectivo;
Aqui chegados, há, então que admitir que quem tem estes atributos ligados ao ensino, não pode deixar de ser considerado Pedagogo, como eu o designo, por ter sido, indubitavelmente, um profissional especialista e dedicado ao desenvolvimento da educação e que conseguiu fazê-lo em locais do interior desprotegidos, em condições muito difíceis e adversas.

De resto, provavelmente, nesses difíceis tempo, foi o Dr. Homero que pôs – e manteve – Penacova no mapa ...

Sobre o Senhor Dr. Homero Pimentel eu ainda tenho, em respeito pela verdade, que referir que ele era um homem tímido socialmente, desapegado dos bens materiais, independente, do ponto de vista político, uma vez que, pelo que sabíamos, não estava alinhado com tudo o que representava – e quem representava – o momento político de então, para não entrar em polémicas, nem se via nas suas manifestações e era um homem duro, como eu já disse igual a tantos outros aqui da Beira, onde quem tem que subir a pulso não o pode deixar de ser, se quiser ter sucesso.

Mas a verdade é que eu tive manifestações de carinho e de respeito pelo aluno que eu era obrigado a ser, dada a minha condição, e o Meu Professor referia-se a mim como Luisito e não raro me prendava com conversas sobre o futuro e sobre as esperanças que em mim depositava, fazendo-o, inclusive, com meu pai, que ia a sua casa com frequência.

Mas também todos nós recordamos do ar satisfeito como ele saia dos Liceus D. João III, D. Maria ou D. Duarte, quando saíam as notas e ele respirava o resultado do trabalho desenvolvido, porque elas (notas) eram sempre muito lisonjeiras e ele ficava imensamente grato aos seus alunos.

De resto, é assim que eu, na minha veste de poeta, o retrato:

Pedagogo Homero

Vejo-o hoje
À distância de uma geração
Longa
Como pedagogo de eleição
Senhor Professor Homero
E relembro-me
De tudo quanto me ensinou
De toda uma forma (muito sua) de estar austera
Salutar
Que mais não pretendia
Do que tentar harmonizar
As bases de um ensino desigual
Numa terra à beira de um ataque cerebral
Como o era Penacova nessa época funesta
Donde libertou o seu intelecto como se fosse uma quimera
E sinto ainda o vosso ar irado
Zangado
Transpirado
Com as bochechas a tremer
E os óculos a gemer
Quando nós vossos alunos taciturnos
Pensando em tudo menos no futuro
Passeávamos os livros
Como se eles, por condão
Passeados
Transportados na mão
Entrassem como o pólen entra no carpelo
Nas partes menos interessantes das nossas cabeças
Pouco brilhantes, então
Mas cheias de cabelo
Eu, Meu Professor modelo
Recordo
Com satisfação
As horas com que me prendava
No quadro
Grande e preto desgastado
Em exercícios de retroversao
E hoje, meio século passado
Compreendo bem
O alcance da vossa maneira de estar
Porque ela modelou a minha própria
Também
Que me ensinou – e ajudou- a alcançar
Esse aprumo e essa integridade, vistos a distância
Qual cornucópia
Em consonância
É a expressão do esforço que se tem que imprimir ao pobre
Para ele, sem ser garboso
Algum dia
Poder vir a tornar-se nobre
Como o foi sem igual
Quase esculpido a cinzel
Em exercício de humildade paternal
O meu (nosso) Professor saudoso
Homero Pimentel
Que nasceu antes do tempo
Num País em sofrimento
Com a inveja circulando ao relento

Bem-haja!

Luís País Amante
Hotel Fortaleza do Guincho
9Abr16, 11h45

Poema feito em homenagem ao meu Professor Amigo Homero Pimentel, que não foi em compreendido no seu tempo, com o meu carinho e reconhecimento.

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