JUSTIÇA - Madeireiro confessa ter ateado incêndios em Penacova - PENACOVA ACTUAL

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29 de abril de 2016

JUSTIÇA - Madeireiro confessa ter ateado incêndios em Penacova



O madeireiro acusado de ser o autor de três incêndios em Penacova, no verão de 2015, afirmou ontem no Tribunal de Coimbra que “não andava bem da cabeça”, num momento da sua vida em que bebia “muito”.

O homem de 49 anos, que foi detido a 10 de agosto de 2015, em Penacova, admitiu que foi o autor dos três incêndios que deflagraram nos dias 8, 9 e 10 de agosto do ano passado, e que consumiram mais de 130 hectares de floresta, mobilizando centenas de meios para o local e obrigando ao corte do IC6. 

Mostrando-se combalido e nervoso (ficou muito comovido quando falou da filha), o arguido confirmou praticamente toda a acusação do Ministério Público e disse que quando tudo aconteceu “não andava bem da cabeça”. Nas respostas que foi dando ao coletivo de juízes disse que estava com uma depressão há algum tempo e que não estava a trabalhar. “Estava de baixa”, afirmou o madeireiro.

Tentativas de suicídio

Aliás, devido aos problemas que padecia, foi seguido nas consultas no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid e por duas vezes tentou suicidar-se.

Os problemas, segundo relatou, começaram depois de ter perdido 100 mil euros para a construção de uma casa. Porém, o empreiteiro faliu e o arguido começou com “mal-estar”. De acordo com a sua companheira, o madeireiro era “amigo, honesto, cumpria com os seus negócios e era muito trabalhador” até 2013, quando “teve azar com a casa”. Aí, “a situação alterou-se”. “Ficou totalmente diferente. Ficava fechado em casa, na garagem, e deixou de trabalhar. Tomava muita medicação e começou a beber”, disse, referindo que o arguido disse “duas ou três vezes” que se queria suicidar e tornou-se “mais agressivo”.

“Não conseguia tomar decisões”

"A cabeça dele já não dava. Não conseguia tomar decisões, mas também não admitia a situação”, constatou a mulher, sublinhando que nunca lhe passou pela cabeça “que ele fizesse um disparate destes”.

Um motorista reformado que apanhou o madeireiro em flagrante delito, na noite de 10 de agosto, disse que o arguido quando foi confrontado “não disse nada”.

No mesmo dia, umas horas mais cedo, outra testemunha referiu que o madeireiro indicou que o fogo “era mais para cima”. Não houve mais diálogo, adiantou.

Na sessão de ontem o arguido confessou a autoria dos fogos ocorridos a 8,9 e 10 de agosto e que para os atear recorreu ao uso de fósforos. Realçou ainda que fez “tudo sozinho” e que o último incêndio que ateou foi pelas 18H00 de dia 10. Este foi aliás o incêndio que atingiu grandes proporções e que levou ao corte do IC6.

Rute Melo - Diário As Beiras