OPINIÃO - A limitação proporcional dos salários dos gestores




Já decorrido o XXI Congresso Nacional do PS, partilho convosco a terceira moção sectorial apresentada pela JS no referido congresso.

Esta é certamente a proposta menos polémica, mas ao mesmo tempo, a mais difícil de pôr em prática. Falo da proposta de limitação dos altos salários no sector empresarial do Estado, de forma a que estes não excedam em mais de vinte vezes o salário mais baixo.

A desigualdade dos rendimentos provenientes do trabalho é um factor de grande relevância na definição das desigualdades sociais. Esta realidade, embora já existente no passado, foi agravada com as políticas de austeridade: em 2011 os presidentes executivos das empresas cotadas no PSI-20 viram o seu salário aumentado em 5,3%, enquanto a média salarial dos trabalhadores sofreu um decréscimo de 11%. À época, já os referidos presidentes executivos ganhavam em média quarenta e quatro vezes mais do que a generalidade dos trabalhadores.

Enfim, não é realmente necessário avançar com grandes justificações para esta medida. É óbvio para todos que estes salários altamente desproporcionais são inaceitáveis numa perspectiva de equidade e justiça social e mesmo do ponto de vista da competitividade empresarial. A própria comissão Europeia já alertou para esta situação.         
 
Faz também todo o sentido que seja o sector público a dar o exemplo, mas a moção propõe ainda que, no curto prazo, a mesma regra se aplique ao sector privado, prevendo penalizações na contribuição para a Segurança Social para as empresas que não a cumprirem.

Concluo assim o tema das moções sectoriais da JS. Dediquei-lhes especial atenção porque creio que elas provam que algures no meio da mediocridade e seguidismo reinantes nas juventudes políticas em geral, existe um pequeno grupo de jovens com valores e visão, capazes de criar medidas bem pensadas e bem estruturadas. 

Capazes de fazer Política.

Rui Sancho

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