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11 de agosto de 2016

INCÊNDIOS - Temeu-se pela Mata do Buçaco


“Um cenário dantesco”, com localidades cercadas pela “fúria das chamas”. Chegou a temer-se o pior, ao final da tarde de ontem, na localidade de Várzeas (Luso). No local, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada falava de “um cenário muito complicado com o fogo a ameaçar populações”. Só a intervenção de dois meios aéreos conseguiu dominar a força das chamas.

“A situação parece ter melhorado, mas viveram-se momentos de desespero”, adiantou o presidente da autarquia. Perante a gravidade da situação, o município da Mealhada viu-se obrigado a acionar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, tal como havia acontecido no concelho de Anadia. Também a Comissão Distrital de Proteção Civil de Aveiro decidiu ativar o Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil em todo o distrito, “tendo em conta o elevado número de ocorrências e o total empenhamento do dispositivo operacional do distrito, estando praticamente esgotadas as suas capacidades de combate e rendição”, bem como a previsível manutenção das condições meteorológicas adversas”.

Mata do Buçaco em risco

“Estamos a dar o máximo dos máximos para acudir às situações mais graves. Temos cinco casas prontas para receber eventuais desalojados. Esperemos que não seja necessário”, afirmou ainda o líder do município da Mealhada. Ontem, já depois das 18H00, um grupo de 150 bombeiros oriundos da zona de Lisboa chegava ao concelho para render os colegas que estavam na frente de combate. “Temos um plano para dar apoio logístico aos bombeiros de fora do concelho que vem reforçar o combate às chamas, sendo a base deste centro a Escola Profissional Vasconcellos Lebre”, adiantou Rui Marqueiro.

Também a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada decidiu abrir o hospital durante toda a noite, ficando de “serviço” ao concelho e aos municípios vizinhos. Uma medida que “pretendeu auxiliar a população e minimizar os constrangimentos que esta catástrofe tem vindo a acentuar”. Ao início da noite uma outra preocupação surgia: o incêndio podia pôr em perigo a Mata Nacional do Bussaco. Autarcas, bombeiros e o presidente da Fundação Mata do Bussaco reconheciam o perigo de se perder um dos ex-libris da região e do país.

Ministra pede serenidade

Ontem de manhã, na povoação de Moita, à margem de uma visita ao posto de comando do incêndio que lavrava em Anadia, a ministra da Administração Interna pedia “alguma serenidade” ao país. Contudo, e como diria mais tarde o comandante dos Bombeiros de Ílhavo, “o pessoal está cansado e à espera de rendições”. Carlos Mouro falava à Lusa ao final da tarde, altura em que o incêndio de Préstimo, em Águeda, continuava descontrolado e avançava em direção à sede do concelho.

Infelizmente, o Centro não era a única região no país a confrontar-se com a destruição provocada pelas chamas. Um pouco por todo o país, de norte a sul, os bombeiros combatiam numa luta cada vez mais desigual. As autoestradas A25, A28 e A43, bem como as nacionais 16, 230 e 336 estavam condicionadas. Na Madeira, povoações e bombeiros viveram mais um dia trágico com as temperaturas e o vento a tornarem inglória a luta de todos.

Patrícia Cruz Almeida - Diários As Beiras

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