OPINIÃO - Considerações sobre o Espaço e a Velhice

Os países industrializados conhecem desde a segunda metade do século vinte, um acentuado envelhecimento demográfico acompanhado pela diminuição da nupcialidade, aumento de divórcios e novos padrões de conjugalidade. Também se verifica uma maior mobilidade geográfica das populações e a inserção das mulheres no mercado de trabalho. São estas transformações na esfera familiar e social que conduzem à “desfamiliarização” de muitas pessoas idosas, ou seja, o declínio das bases sociais do familismo tradicional.

Assim, os membros de uma família como potenciais cuidadores tornam-se difíceis de conciliar com as necessidades de prestação de cuidados que exigem os familiares mais velhos. Em virtude desta relativa ruptura do modelo tradicional de família, a institucionalização afigura-se em muitos casos como a única solução possível.

Deste modo, urge encontrar uma Estrutura Residencial para Idosos pensada como um lugar de vida e não como um espaço liminar fora da vida. O grande objectivo é encontrar um espaço para os mais velhos onde sejam garantidas condições para o indivíduo construir o seu próprio espaço e sentir-se parte integrante desse mesmo ambiente juntamente com os seus pares.

Em síntese, o que é naturalmente importante é que em vez do quarto que o residente ocupa na Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) ser o último lugar no mundo que garante a preservação da sua identidade, deverá ser a Instituição no seu todo, o espaço onde os mais velhos continuam a sua vida, experienciando actividades, contactos sociais e o bem-estar que qualquer pessoa merece independentemente da etapa de vida em que se encontra.

Como diz Leonardo Boff, “Tudo que existe e vive precisa de ser cuidado para continuar existindo”, o que significa que o acto de cuidar seja na ERPI ou na família é oferecer ao outro o resultado dos nossos talentos, funções escolhas.

Rosário Pimentel, assistente social

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